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Israel quer manter forte controle na reconstrução de Gaza

País declarou cessar-fogo unilateral no domingo, 18, após 3 semanas de ofensiva que deixou 1.300 mortos

Adam Entous, Reuters

19 de janeiro de 2009 | 16h49

Israel pretende exercer controle sobre a reconstrução da Faixa de Gaza após 22 dias de ofensiva e busca garantias de que nenhum projeto da Organização das Nações Unidas (ONU) beneficie o Hamas, disseram autoridades na segunda-feira.  Ao todo, 1.300 palestinos e 13 israelenses morreram.   Veja também: Hamas promete se rearmar após ofensiva em Gaza Tropas sairão de Gaza antes de posse de Obama, afirma Israel Hamas anuncia trégua para Israel sair da Faixa de Gaza No Egito, França diz que Israel deve deixar Faixa de Gaza Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques     Israel, que declarou um cessar-fogo unilateral no domingo, mantém controle total sobre as passagens comerciais de Gaza, pelas quais os bens e outros materiais para a reconstrução deverão passar. Túneis de contrabando sob a fronteira de Gaza com o Egito, que eram usados pelo Hamas e por muitos palestinos comuns para escapar ao bloqueio imposto por Israel, foram fortemente bombardeados durante a guerra e estão, ao menos temporariamente, inativos. Isso confere a Israel um poder enorme para moldar os esforços de restauração, que em grande parte serão financiados pela comunidade internacional. Estimativas preliminares calculam os prejuízos em cerca de 2 bilhões de dólares. A Arábia Saudita diz que doará 1 bilhão de dólares. Diplomatas ocidentais, falando à Reuters sob a condição de anonimato, disseram que Israel pediu que a ONU e outros grupos de assistência forneçam uma lista detalhada dos bens, equipamentos e pessoal que queiram levar à Faixa de Gaza, tanto para as necessidades imediatas como para a reconstrução. Israel disse aos grupos de assistência que considera expandir a lista de materiais autorizados a entrar na Faixa de Gaza. Antes da guerra, Israel proibia a entrada de cimento, aço e dinheiro, dizendo que o Hamas poderia usá-los para bunkers, foguetes e pagamento de milicianos. Garantias da ONUIsrael, no entanto, deixou claro que pretende controlar de perto o processo exigindo a aprovação de cada projeto, afirmaram os diplomatas. O país também pediu "garantias" da ONU e de outras agências de que seus projetos não beneficiarão o Hamas, grupo islâmico considerado terrorista por Israel e pelo Ocidente. Uma autoridade israelense afirmou que as agências da ONU serão obrigadas a monitorar "cada dólar gasto" a fim de garantir que ele vá diretamente ao local em que os empreiteiros estejam trabalhando. A mensagem transmitida à ONU, disse ele, foi "não permita que o Hamas ganhe crédito por nada." Autoridades da ONU não quiseram fazer comentários sobre o pedido de Israel. Como política, o organismo mundial não fala diretamente ao Hamas exceto no nível operacional para facilitar suas atividades de assistência em Gaza. O Hamas venceu a eleição palestina em 2006, mas tem sido marginalizado pelas potências ocidentais por sua recusa em reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar acordos de paz fechados no passado. O grupo, que recebe apoio do Irã e de simpatizantes no mundo árabe, assumiu o controle da Faixa de Gaza em junho de 2007 após derrotar as forças do Fatah, grupo secular, leais ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que tem apoio do Ocidente. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, indicou Isaac Herzog, ministro da Previdência Social, para coordenar os esforços de restauração ao lado dos organismos internacionais. Israel disse que poderia aumentar bastante o fluxo de alimentos e remédios para Gaza caso seja mantido o cessar-fogo, mas descartou a possibilidade de suspensão total do bloqueio até que o Hamas e seus aliados libertem o soldado israelense Gilad Shalit, capturado em 2006.

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