Israel recusa apelos por trégua e mobiliza tropas

Os israelenses intensificaram preparativos para uma possível ofensiva por terra

Reuters e Efe,

31 de dezembro de 2008 | 18h50

Israel rejeitou nesta quarta-feira, 31, apelos para um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. Os israelenses intensificaram preparativos para uma possível ofensiva por terra, depois que foguetes de longo alcance do Hamas atingiram um centro populacional importante.  Veja também:Brown diz que Olmert prometeu suspender bloqueio a GazaIsrael coloca vídeos de ataques no YouTube Hamas diz só negociar cessar-fogo e abertura Bush condiciona trégua em Gaza a fim de ataques do Hamas Em Curitiba, palestino não pode voltar para casa  Lula: ONU não tem coragem para pôr paz em Gaza Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques  Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar  Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra IsraelConheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques    Os aviões israelenses realizaram mais dez ataques. No tempo chuvoso, o número de bombardeios se reduziu, o que permitiu aos moradores de Gaza irem aos mercados pela primeira vez desde o início da ofensiva de cinco dias.  O tempo chuvoso, "uma trégua imposta por Deus", como descreveu um palestino, pode vir postergar uma possível entrada dos tanques israelenses na Faixa de Gaza. Pela previsão do tempo, o céu estará aberto por dias a partir do fim desta quinta-feira.  O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, falou por telefone com o premiê israelense, Ehud Olmert, mas não discutiu um cronograma para suspender os ataques, segundo a Casa Branca. Bush pôs o ônus do conflito no Hamas. Caberia ao grupo dar o primeiro passo e parar com os ataques a foguete.  As pressões internacionais cresceram sobre os dois lados do conflito, para um fim nas hostilidades. Israel, no entanto, disse que não era realista uma proposta francesa de uma trégua de 48 horas, para que a ajuda humanitária chegasse aos habitantes da Faixa de Gaza.  "Se as condições amadurecerem, e nós pensamos que haverá uma solução diplomática que assegurará mais segurança no sul, nós consideraremos. No momento, contudo, ainda não estamos lá", afirmou Olmert, segundo um assessor.  "Não começamos essa operação para terminá-la com foguetes continuando a ser disparados, como já eram disparados antes de começarmos", disse Olmert, de acordo com esse assessor. "Imagine se declaramos um cessar-fogo e daqui a alguns dias foguetes atingem a cidade de Ashkelon. Que efeito isso terá no poder israelense de defesa?"  Olmert fez os comentários, que não descartaram uma trégua no futuro, para os responsáveis pela área de segurança do seu gabinete.  O Hamas, por sua vez, se disse preparado para estudar propostas de cessar-fogo, desde que isso "traga a suspensão imediata da agressão e termine com o bloqueio (à área controlada pelo Hamas)", segundo Ayaman Taha, representante do grupo.  Com os palestinos cada vez mais enfurecidos com a ofensiva, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, defendeu que o conflito termine "imediatamente" e afirmou que Israel é "totalmente responsável" pela violência.  Os ataques aéreos à Faixa de Gaza já mataram 393 palestinos, pelo menos um quarto deles, segundo dados das Nações Unidas, civis. Tiroteios Soldados israelenses no lado israelense da fronteira com Gaza abriram fogo hoje contra milicianos palestinos, no primeiro incidente deste tipo desde que, no sábado passado, teve início a ofensiva aérea de Israel contra o território. O incidente aconteceu a leste da cidade de Khan Yunes, no sul de Gaza, e não causou nenhuma vítima, informaram fontes do Hamas, que não explicaram o motivo do ataque. Um porta-voz do Exército israelense confirmou o tiroteio e assegurou que "as tropas não entraram em Gaza". "O que ocorreu é que as tropas detectaram um número de indivíduos suspeitos perto da cerca (fronteiriça) no sul da Faixa de Gaza e dispararam contra eles, que fugiram num instante e não responderam ao fogo", disse o porta-voz. O "Canal 2" da televisão israelense disse nesta quarta-feira que a ofensiva por terra contra Gaza começará depois da sexta-feira. Desde o começo dos bombardeios, quase 400 palestinos morreram e cerca de 1.900 ficaram feridos. Túneis  O bombardeio israelense ao longo da região da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito tem o objetivo de destruir túneis usados pelos palestinos para o contrabando e continuará até que esse objetivo seja alcançado, disse uma autoridade militar de Israel na quarta-feira.  Desde o início da ofensiva israelense em Gaza, controlada pelo Hamas, no sábado, aviões de guerra fizeram três grandes operações ao longo da fronteira de 14 quilômetros jogando bombas que penetravam no solo e só depois explodiam.  Uma importante autoridade militar disse que a Força Aérea israelense usava bombas capazes de destruir bunkers, suficientemente potentes para destruir túneis e matar qualquer pessoa que esteja dentro deles.  "O objetivo é destruir todos os túneis usados para contrabandear armas. Se já conseguimos isso, bom. Mas se virmos alguém saindo de um túnel, não tenha dúvida de que voltaremos", disse a autoridade militar.  Centenas de passagens secretas permitiram ao Hamas e a outras facções armadas palestinas trazer armas da região egípcia do Sinai. Os túneis também são fontes de bens comerciais em meio ao isolamento internacional a Gaza.  Questionado se a Força Aérea estava tentando não atingir túneis usados para trazer bens não-militares, a autoridade israelense disse: "Não existe isso. Eles são todos usados para as duas coisas (trazer bens militares e não-militares)". Ampliada às 19h47

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