Israel reforça controle nas áreas urbanas de Gaza

Secretário-geral da ONU viaja para região; número de mortos no 18º dia da ofensiva chega a 913

Reuters,

13 de janeiro de 2009 | 05h13

Tropas israelenses reforçaram nesta terça-feira, 13, o controle sobre as áreas urbanas da Faixa de Gaza no 18º dia da ofensiva militar contra o Hamas, enquanto os líderes mundiais se esforçam para conseguir um acordo de cessar-fogo. Pelo menos 60 alvos foram atacados e, segundo a Agência Efe, 30 milicianos palestinos foram mortos. Os confrontos feriram ao menos oito soldados israelenses, um deles com gravidade.   Veja também: Secretário-geral da ONU apela por trégua na Faixa de Gaza Israel diz que 400 militantes do Hamas já foram mortos Hamas diz que 'se aproxima da vitória' em Gaza Em Israel, partidos árabes são banidos de eleições Israel planeja controlar fronteira de Gaza e Egito Foguete de Israel atinge Brazil, no Egito  ONU investigará violações em ofensiva de Israel Israel manda reservistas e avança em centros urbanos Custo da guerra é de US$ 8 milhões por dia  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       A nota do Exército israelense detalha que, entre os cerca de 60 alvos atacados, estão um hotel "no qual os terroristas se agrupavam para atacar as forças israelenses", dez plataformas de lançamento de foguetes, 15 túneis para o contrabando com o Egito, 15 patrulhas de milicianos, sete armazéns de armas e uma instalação para a fabricação de armamento na casa de um membro do Hamas. Fora isso, vários "outros alvos foram atacados de modo a ajudar as forças terrestres", segundo o boletim militar.   O número de palestinos mortos passa dos 900, entre eles muitos civis. Tanques israelenses se aproximavam dos subúrbios da Cidade de Gaza e soldados apoiados por ataques aéreos enfrentavam milicianos em intensas batalhas.   Líderes israelenses se reuniram para decidir sobre medidas adicionais, segundo a imprensa local. Enquanto isso, o líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, declarou de maneira desafiante em uma mensagem pela TV que "a vitória está próxima".   O secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, viajou para a região para continuar pressionando por uma trégua em uma semana de conversas com líderes do Egito, Israel, Jordânia e Síria.   "Minha mensagem é simples e direta: a luta deve terminar. Eu digo para ambas as partes: parem agora", disse Ban aos jornalistas antes de sua partida.   Fontes políticas libanesas próximas ao grupo islâmico indicaram que o Hamas recusaria a proposta egípcia para pôr fim a ofensiva, que segundo Israel tem como objetivo deter os ataques com foguetes de Gaza contra o sul israelense.   Uma fonte libanesa afirmou que o Hamas deseja uma trégua por tempo limitado e se opõe a presença de um observador estrangeiro na passagem fronteiriça de Rafah entre Gaza e o Egito. Em entrevista à televisão Al-Jazira, o representante do grupo no Líbano, Osama Hamedan, reiterou as condições de seu grupo para aceitar o plano egípcio: o fim da agressão e a "imediata retirada" israelense, a suspensão do bloqueio sobre Gaza e a abertura das passagens fronteiriças.   Israel rechaçou um chamado do Conselho de Segurança da ONU para estabelecer uma trégua, mas disse que pode discutir outras propostas.   Combate corpo a corpo   Apesar do esforço mundial para colocar fim ao confronto, Israel continuava pressionando e seus tanques avançavam na Cidade de Gaza, que registrou explosões nesta terça-feira, enquanto combatentes do Hamas e tropas israelenses se enfrentavam a tiros.   O porta-voz militar israelense, o general de brigada Avi Benayahu, disse nesta segunda-feira que Israel aumentou sua presença no território palestino e que unidades de reservistas avançaram para conservar posições e permitir que as tropas regulares avançassem sobre a Cidade de Gaza.   Três soldados israelenses ficaram feridos em um incidente de "fogo amigo" nesta segunda-feira, disse o porta-voz militar.   Também foram registradas ondas de violência na ocupada Cisjordânia, na qual homens armados balearam e feriram quatro soldados ao disparar contra um veículo israelense, acrescentou Benayahu.   Médicos palestinos disseram que ao menos 913 pessoas morreram em Gaza como consequencia dos ataques israelenses iniciados em 27 de dezembro. O ministro de Saúde de Gaza afirmou que cerca de 400 mortos eram mulheres e crianças. Já a Inteligência das Forças de Defesa Israelense (IDF, na sigla em inglês) aponta que pelo menos 400 dos mais de 900 mortos na ofensiva na Faixa de Gaza são militantes do grupo islâmico Hamas, segundo informou o jornal Jerusalem Post em sua edição digital. As vítimas fatais israelenses no conflito são 10 soldados e 3 civis.   Nesta segunda-feira, a Arábia Saudita acusou Israel de "extermínio racista". Em uma coletiva de imprensa, o presidente americano, George W. Bush, disse que espera que a violência termine antes de Barack Obama assumir o mandato em 20 de janeiro.   "Eu apoio um cessar fogo sustentável, e isto exige que o Hamas não lance mais foguetes contra Israel", disse Bush, observando que é responsabilidade do grupo colocar fim ao sofrimento das 1,5 milhões de pessoas que vivem em Gaza.   O presidente americano afirmou ainda que o Estado judeu tem o direito de se defender, mas deve ter consciência das "pessoas inocentes" que vivem na Faixa de Gaza.

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