Israel rejeita negociações sobre fronteiras com palestinos

Governo quer discutir 'questões políticas'; negação lança dúvidas sobre iniciativa de paz dos EUA para a região

ADAM ENTOUS, REUTERS

17 Julho 2007 | 10h08

Israel descartou nesta terça-feira, 16, negociações "neste momento" sobre as fronteiras de um futuro Estado palestino, o que lança dúvidas sobre uma nova iniciativa de paz dos Estados Unidos. Veja também: Bush vai oferecer US$190 milhões em auxílio a palestinos Na véspera, o presidente norte-americano, George W. Bush, disse que em breve haveria "sérias negociações em direção à criação de um Estado palestino". Bush disse que as negociações deveriam levar a uma definição das fronteiras palestinas, sugerindo que outras questões importantes, como o status de Jerusalém e o destino dos refugiados, ficariam para depois. Saeb Erekat, assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou que os palestinos estão preparados para iniciar imediatamente as negociações sobre todas as questões principais. Abbas, que governa apenas a Cisjordânia (enquanto o grupo islâmico Hamas domina a Faixa de Gaza), entregou essa mensagem pessoalmente ao premiê israelense, Ehud Olmert, na segunda-feira em Jerusalém, segundo autoridades. "Israel declarou abertamente que estamos dispostos a conversar sobre questões do 'horizonte político' e sobre como alcançar a visão de dois Estados para dois povos", disse Miri Eisin, porta-voz de Olmert. "Mas deixamos muito claro que não estamos dispostos a discutir neste estágio as três questões centrais - de fronteiras, refugiados e Jerusalém", acrescentou Eisin. Analistas e diplomatas ocidentais dizem que Bush parece estar delineando uma nova estratégia de negociações por etapas, em que as fronteiras seriam definidas antes da discussão de outros temas-chave. Vários colunistas de Israel consideraram o plano de Bush tímido e tardio, já que só lhe restam 18 meses de mandato. "A paz no Oriente Médio é como o horizonte: quando mais perto se chega, mais longe ele fica", escreveu Nahum Barnea, do popular jornal Yedioth Ahronoth. Uma importante fonte oficial israelense disse que a proposta de Bush sobre as fronteiras não foi levada tão a sério porque "ele não estabeleceu nenhum cronograma". Essa fonte disse que o Estado judaico acredita que Bush insistirá na necessidade de os palestinos conterem a militância antes da negociação territorial. Outra fonte admitiu que "as sequências e fases (da negociação) foram deixadas vagas e abertas a interpretações". Bush pediu a Israel que destrua pequenos postos avançados construídos sem aprovação do governo na Cisjordânia, mas não chegou a exigir o fim dos assentamentos estabelecidos na região - limitou-se a desaconselhar a "expansão dos assentamentos". (Com reportagem de Mohammed Assadi em Ramallah, Nidal al-Mughrabi em Gaza e Corrine Heller em Jerusalém)

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