Israel rejeita resolução da ONU e mantém ataque a Gaza

Israel rejeitou na sexta-feira uma resolução da ONU que exige um cessar-fogo na Faixa de Gaza, enquanto aviões e tanques continuavam bombardeando o território palestino governado pelo Hamas. A resolução de quinta-feira, de cumprimento obrigatório, exigia um cessar-fogo "imediato e durável", após duas semanas de conflito. Mas o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que o plano é "inviável". Israel disse que o Hamas disparou pelo menos 30 foguetes contra o seu território na sexta-feira, mas não há relatos de vítimas. Na Faixa de Gaza, fontes médicas disseram que o número de mortos palestinos subiu a 784. Já Israel perdeu 10 soldados e 3 civis, atingidos por foguetes em território israelense. Dirigentes do Hamas disseram estar avaliando a resolução da ONU, mas manifestaram irritação por não terem sido consultados. O grupo afirmou ter enviado três de seus líderes ao Cairo para discutir uma outra proposta de cessar-fogo, feita pelo Egito, mas diplomatas disseram que há profunda discordância entre Israel e Egito a respeito do plano. "O disparo de foguetes nesta manhã só demonstra que a decisão da ONU é inviável e não receberá a adesão das homicidas organizações palestinas", disse Olmert. Pela segunda vez em três dias o gabinete de segurança de Israel debateu a conveniência de enviar reservistas para cidades e aldeias da Faixa de Gaza. Nenhuma decisão foi divulgada. O Hamas quer que o eventual cessar-fogo inclua o fim do bloqueio econômico de Israel e a retirada de todas as tropas israelenses da Faixa de Gaza. Israel, por sua vez, quer que o Hamas pare de disparar foguetes e que a comunidade internacional dê garantias de que o grupo islâmico não poderá se rearmar. Mark Regev, porta-voz do governo israelense, evitou comentar se os ministros haviam decidido ampliar a operação militar. "Não posso entrar em detalhes operacionais. A pressão militar sobre o Hamas vai continuar", disse. Ele afirmou também que a discussão com o Egito seria retomada, mas não informou quando. Um influente diplomata europeu disse à Reuters que a iniciativa egípcia, apoiada pela França, está ameaçada. "Há uma crescente sensação de que o plano franco-egípcio não irá funcionar", disse. Os EUA, que se abstiveram na votação da resolução da ONU, voltaram a manifestar apoio aos objetivos militares de Israel. "Esta situação não vai melhorar até que o Hamas pare de soltar foguetes contra Israel", disse Scott Stanzel, porta-voz da Casa Branca. (Reportagem adicional de Joseph Nasr, Ori Lewis, Adam Entous e Alastair Macdonald em Jerusalém, Wafa Amr em Ramallah, Haitham al-Tamimi em Hebron, David Alexander em Washington)

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