Israel retira colonos de prédio ocupado em Hebron

A polícia de Israel usou gás lacrimogêneo e cassetetes para retirar, a partir desta quinta-feira, colonos judeus de um edifício em disputa na cidade de Hebron, na Cisjordânia, após dias de conflitos com pedras com os palestinos. Pelo menos três israelenses tiveram ferimentos leves durante a operação, que durou menos de uma hora. Ao menos 12 outras pessoas receberam tratamento devido à inalação de fumaça, segundo os médicos. Nenhum dos colonos foi preso, segundo um porta-voz da política. Oito palestinos também se feriram no confronto, que se generalizou depois da expulsão, quando os colonos, alguns deles armados, atearam fogo a carros e propriedades palestinas, segundo testemunhas. Três palestinos foram baleados, de acordo com funcionários do hospital palestino. A tensão na cidade era grande desde que a Alta Corte de Israel decidiu, em 16 de novembro, que os colonos deveriam abandonar o edifício ocupado desde março de 2007. A polícia retirou os colonos dos prédio usando a força -- alguns deles chutavam e gritavam. O vizinho palestino Bassam al-Já'abari disse à Reuters que a polícia entrou no edifício por duas entradas no fundo. "Em minutos, os colonos começaram a jogar pedras nos soldados israelenses e a atacar as casas palestinas", disse Ja'abari. A situação em Hebron aumentou o medo de que a disputa ideológica em Israel possa explodir em violência interna antes das eleições parlamentares de 10 de fevereiro, que substituirão o primeiro-ministro Ehud Olmert. Analistas militares israelenses dizem temer que a violência em Hebron possa se espalhar para outros locais. "Isso não vai acabar aqui. Vamos voltar de novo e de novo e de novo", disse Naftali Woldman, 20, que apóia os colonos. Apontando para casas palestinas, ela disse: "tudo isso vai ser terra judia um dia". Olmert alertou publicamente sobre um novo ultranacionalismo, que ameaça Israel e as chances de paz com os palestinos. Autoridades de defesa de Israel temem que a tensão em Hebron atinja outras áreas da Cisjordânia, ocupada por Israel. "Eu acho que Ehud Barak (ministro de Defesa) está cometendo um erro colossal com esse confronto, que cai como uma luva para os extremistas", disse Danny Dayan, diretor do conselho YESHA de colonos, ao canal 10 de televisão. Os palestinos viram com bons olhos a expulsão, mas disseram que Israel tem de fazer muito mais. "A remoção dos colonos... deve marcar o começo da retirada de todos os colonos da cidade", disse Nabil Abu Rdainah, representante do presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas. (Reportagem adicional de Dan Williams, Joseph Nasr e Adam Entous em Jerusalém)

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