Israel rompe trégua em Gaza e retalia ataques do Hamas

Palestinos atacam Sderot; premiê israelense diz que cessar-fogo é 'frágil' e é reavaliado a cada minuto

Agências internacionais,

18 de janeiro de 2009 | 07h28

Poucas horas após declarar cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza, Israel voltou a atacar o norte do território palestino em resposta a ataques com foguetes lançados pelo grupo palestino Hamas. A força aérea israelense abriu fogo na manhã deste domingo, 18, contra um grupo de edifícios na Cidade de Gaza, matando o primeiro palestino desde que entrou em vigor a trégua anunciada. O ataque aconteceu cerca de seis horas após entrar em vigor o cessar-fogo declarado por Israel às 2h deste domingo (22h de sábado em Brasília), depois que militantes palestinos dispararam dez foguetes contra o sul de Israel, atingindo os arredores de Sderot, em um ataque que não causou vítimas. As trocas de fogo aconteceram no norte de Gaza, nos arredores do campo de refugiados de Jabaliya.   Veja também: Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       Um porta-voz israelense afirmou que os militares responderam ao ataque dos militantes palestinos. "Tanques e helicópteros dispararam contra os atacantes", acrescentou o porta-voz. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, advertiu ao declarar o cessar-fogo que o Exército suspenderia as operações ofensivas mas que responderia aos ataques das milícias ou ao lançamento de foguetes. Neste domingo, Olmert advertiu ainda que esta trégua é "frágil" e que Israel está avaliando "minuto a "minuto" a evolução dos acontecimentos.   "Nós tivemos pelo menos cinco lançamentos da Faixa de Gaza e quatro deles caíram na região de Sderot", afirmou um porta-voz do Exército, referindo-se ao prédio israelense localizado a cinco quilômetros da fronteira de Gaza. Mais cedo, um tanque israelense abriu fogo contra um homem armado na Cidade de Gaza, quando tropas eram alvo de ataques horas após o cessar-fogo ser iniciado, informou o Exército. Logo pela manhã, uma rádio pública israelense afirmou que um helicóptero abriu fogo sobre a Cidade de Gaza e imagens de televisão mostraram uma aeronave atirando sobre a região. Testemunhas disseram ainda ter presenciado uma pequena troca de tiros entre militantes palestinos e tropas israelenses perto da cidade de Rafah antes do amanhecer, mas o Exército de Israel não confirmou os relatos.   Disparos israelenses provocaram a morte de um palestino em Gaza, a primeira vítima desde que entrou em vigência o cessar-fogo. Maher Abu Rajila, de 20 anos, estava a bordo de seu carro quando foi alvejado por vários tiros israelenses. Os soldados de Israel não deixarão o território palestino durante dez dias e também não conseguiram alcançar nenhum tipo de acordo com os islâmicos, ainda que os dirigentes e representantes do governo israelenses tenham negociado durante toda a semana com o Egito, país que promove a mediação separada entre Hamas e Israel.   Israel decretou o cessar-fogo unilateral, mas o Exército permanecerá na Faixa de Gaza por tempo indeterminado. Em discurso após reunião ministerial, o premiê afirmou que a ofensiva militar alcançou seus objetivos e, portanto, seria suspensa. A ofensiva contra o Hamas deixou 1.300 palestinos e 13 israelenses mortos, além de mais de 5 mil feridos. Olmert deixou claro que não há data para a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza. O Exército manterá suas forças no território pelo "tempo que for necessário" e, além disso, se reservaria o direito de responder a eventuais ataques do Hamas.   Mesmo com o cessar-fogo de Israel, o presidente egípcio decidiu manter a reunião deste domingo com líderes mundiais para discutir a situação em Gaza, da qual deverão participar o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. França, Reino Unido e Alemanha devem oferecer navios para controlar a costa da Faixa de Gaza.   Os líderes de França, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Turquia e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, participam neste domingo da cúpula em Sharm el-Sheikh para discutir a reconstrução da Faixa de Gaza. Os intensos esforços diplomáticos desdobrados nas últimas horas e durante os últimos dias tem o objetivo de deter a ofensiva israelense, além da consecução de um cessar-fogo permanente, a retirada das tropas israelenses de Gaza e a abertura dos postos fronteiriços para a entrada de ajuda humanitária.   Palestinos mortos   Médicos palestinos disseram que, até o momento, foram retirados 95 corpos dos escombros da Faixa de Gaza neste domingo. A maior parte dos mortos foi encontrada nas cidades de Jabaliya e Beit Lahiya, na região norte. Também foram encontrados corpos em Zeitun, um bairro afastado da Cidade de Gaza, de acordo com o chefe de serviços médicos de Gaza, Muawiya Hassanein. As três localidades foram o palco de algumas das batalhas mais violentas entre militantes palestinos e tropas israelenses.   As descobertas elevam para pelo menos 1.300 o número de palestinos mortos em Gaza desde que Israel iniciou o confronto com o Hamas, em 27 de dezembro, segundo Hassanein.     (Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

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