Israel segue com a expansão de construções em Jerusalém

Jornal afirma que governo abriu licitações para construção na área de predominância árabe da capital

Agência Estado e Associated Press,

15 de fevereiro de 2008 | 11h58

Israel segue com o polêmico plano de construir centenas de novas casas para judeus em um bairro de Jerusalém Oriental, setor tradicionalmente árabe da cidade sagrada, segundo informações do jornal israelense Haaretz. Em sua edição desta sexta-feira, 15, uma reportagem diz que o governo já autorizou as empreiteiras contratadas a darem início às obras.   Na quinta, o governo israelense anunciou os nomes das cinco construtoras que venceram as licitações para a construção de 307 novas habitações para judeus no bairro de Har Homa, prosseguiu o Haaretz. O anúncio do plano, em dezembro, motivou críticas dos Estados Unidos e atrapalharam o andamento das negociações entre israelenses e palestinos em um momento no qual elas acabavam de ser retomadas depois de quase sete anos paralisadas.   A notícia sobre a autorização para início das obras veio à tona apenas alguns dias depois de o governo de Israel ter divulgado planos de abrir licitação para a construção de 350 novas unidades habitacionais no mesmo bairro depois que as primeiras 307 estivessem resolvidas.   Com a distribuição das licitações e o início das obras, parece agora mais provável que a segunda parte do projeto também saia do papel, o que representará uma grande expansão de um bairro judaico num setor de maioria árabe em Jerusalém.   "Nós denunciamos essa medida e acreditamos que isso minará os esforços para dar início às negociações sobre Jerusalém, os assentamentos e outras questões", declarou o negociador palestino Saeb Erekat. Funcionários da Agência Territorial de Israel, responsável pelas licitações, não foram encontrados para comentar o assunto nesta sexta-feira.   Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam Jerusalém como capital. A cidade - sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos - foi capturada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Anos mais tarde, o governo israelense anexou a cidade e a declarou sua capital "eterna e indivisível". As iniciativas israelenses, no entanto, são rechaçadas pela comunidade internacional, que defende uma solução negociada.   Os palestinos reivindicam o lado de maioria árabe da cidade, conhecido como Jerusalém Oriental, como capital de seu futuro Estado independente e soberano. Atualmente, cerca de 180 mil israelenses vivem nessa região da cidade. De acordo com o último censo, 208 mil palestinos vivem em Jerusalém Oriental.   Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro, Ehud Olmert, disse que a intenção de Israel é negociar o futuro de Jerusalém, mas não há planos de parar as construções na cidade.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelpalestinosJerusalém

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.