Israel sepulta corpos de soldados entregues pelo Hezbollah

Corpos de 199 militantes repatriados pelo Líbano passam por DNA antes de serem devolvidos para as famílias

Agências internacionais,

17 de julho de 2008 | 07h35

Milhares de pessoas participaram nesta quinta-feira, 17, nos funerais de Ehud Goldwasser e Eldad Reguev, os dois soldados que foram seqüestrados pelo Hezbollah em julho de 2006 e cujos corpos foram repatriados pelo governo israelense na quarta, em troca da libertação de cinco presos libaneses e os restos mortais de 199 militantes.   Veja também: Kantar passa de assassino cruel a herói no Líbano  Troca de prisioneiros reabre ferida israelense  Líder do Hezbollah recebe ex-prisioneiros em Beirute   Em Nahariya, ao norte de Israel, políticos, soldados, parentes e amigos acompanharam os cânticos de um rabino militar durante o sepultamento de Goldwasser, capturado com Reguev por um comando da guerrilha libanesa na fronteira entre os dois países. O incidente desencadeou uma guerra de 34 dias que matou mais de mil libaneses, a maioria civis, e 150 israelenses.   Entre os presentes no funeral estavam o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, e o líder do partido de oposição Likud, Benjamin Netanyahu. A família de Gilad Shalit, soldado em poder do grupo islâmico Hamas há dois anos, também participou da cerimônia. Envolto em uma bandeira israelense, o caixão foi levado em silêncio por soldados da unidade de Goldwasser.   Barak, disse que Israel está "de coração partido" e "pagou uma preço muito alto" ao libertar cinco guerrilheiros envolvidos no ataque a Israel em troca dos corpos dos soldados, devolvidos em caixões pretos. Ele prometeu que Israel "fará todos os esforços" para reaver outros soldados capturados, incluindo Gilat Shalit, sequestrado por militantes na Faixa de Gaza em 2006, em um combate na fronteira. Já o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, condenou na quarta-feira as honras recebidas por Samir Kantar em Beirute. Qantar é acusado por Israel de ser o responsável por um ataque que matou quatro pessoas. "Fico aflito com as pessoas que comemoram a libertação de uma besta que deu cacetadas na cabeça de uma criança de quatro anos", disse Olmert em um comunicado, referindo-se à garota morta por Kantar, ao lado do pai.   Centenas de israelenses acompanharam o funeral do outro soldado repatriado, Regev. Segundo a AFP, a cerimônia aconteceu no cemitério militar de Haifa horas depois do sepultamento de Goldwasser. Familiares do outro soldado entregue pelo Hezbollah, de Shalit e o ministro da Defesa israelense participaram do enterro.      Caminhões levam corpos de libaneses. Foto: AP Libaneses mortos   Os cadáveres dos combatentes libaneses e árabes, entregues por Israel na troca, foram levados a um hospital de Beirute para exames de DNA. Os cadáveres saíram pela manhã em comboio da cidade de Nakura, e chegarão ao hospital Razuk - de propriedade do Hezbollah - para identificação antes de entregá-los a suas famílias para que os enterrem.   No caminho, milhares de pessoas os esperavam, principalmente nas localidades de Tiro e Sidon, onde os habitantes jogavam arroz e pétalas de flores, enquanto as mulheres se expressavam com seus tradicionais gritos neste tipo de cerimônia.   Enquanto isso, os cinco libaneses libertados assistiram nesta quinta, em Beirute, à Conferência Permanente para a Resistência, durante a qual o chefe do grupo parlamentar do Hezbollah, Mohammed Raad, disse que seu grupo "não desafia a legitimidade de ninguém". "A única coisa que desejamos é preservar a união nacional, mas alguns duvidem da lealdade do Hezbollah", acrescentou.   Depois, os cinco libaneses, entre eles Samir Kuntar - o ex-preso libanês mais antigo nas prisões israelenses -, foram ao Cemitério dos Mártires, no sul de Beirute, onde depositaram uma coroa de flores no túmulo de Imad Mugniyeh, responsável de segurança do Hezbollah, assassinado em um atentado este ano em Damasco.   Matéria atualizada às 10h45.

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