Israel simulou ataque contra instalações iranianas, dizem EUA

Segundo 'NYT', exercício militar enfatiza a seriedade com que israelenses vêem o programa nuclear iraniano

Michael R. Gordon e Eric Schmitt, The New York Times

20 de junho de 2008 | 10h10

o Israel lançou um exercício militar no início do mês que autoridades americanas disseram que parece ter sido um treinamento para um potencial ataque contra instalações nucleares iranianas. Diversos oficiais dos Estados Unidos afirmaram que as operações israelenses poderiam ser um esforço para desenvolver a capacidade das Forças Armadas em realizar ataques de longa distância e demonstrar seriedade com que Israel vê o programa atômico do Irã.  Veja também:  Irã adverte que usará a força contra países inimigos Mais de 100 caças israelenses F-16 e F-15 participaram das manobras, que foram realizadas sobre o leste do Mar Mediterrâneo e sobre a Grécia na primeira semana de junho, disseram os oficiais. O Exercício incluiu ainda helicópteros israelenses que poderiam ser usados para salvar pilotos de aeronaves abatidas. Os helicópteros e aviões de abastecimento voaram mais 1,4 mil quilômetros, distância semelhante entre Israel e a principal usina de enriquecimento de urânio iraniana, a de Natanz.  Oficiais israelenses se negaram a discutir detalhes do exercício. Um porta-voz do Exército disse apenas que a Força Aérea do país "treina regularmente para várias missões, para enfrentar os desafios apresentados pelas ameaças contra Israel". Porém, o espaço do exercício israelense virtualmente garantiu que a operação fosse noticiada por americanos e outras agências de inteligência estrangeiras. Um alto oficial do Pentágono, que foi instruído sobre o exercício e que falou sob condição de anonimato por conta da sensibilidade do tema, afirmou que a operação parecia ter múltiplos propósitos. Segundo a fonte no Pentágono, o objetivo israelense era praticar vôos táticos, reabastecimento aéreo e outros detalhes para um possível ataque contra instalações nucleares no Irã e seus mísseis convencionais de longo alcance. O oficial disse ainda que o exercício quis emitir uma mensagem clara aos Estados Unidos e outros países, de que Israel está preparado para agir militarmente se os esforços diplomáticos para a interrupção do enriquecimento de urânio que pode ser usado para bombas nucleares falharem. "Eles queria que nós soubéssemos, que os europeus soubessem, e querem que os iranianos saibam", disse o oficial.  Muitos oficiais americanos disseram ainda que não acreditam que o governo israelense tenha concluído que o Irã deve ser atacado e não pensam que o país é uma ameaça iminente. Shaul Mofaz, ex-ministro da Defesa israelense e que agora é deputado, alertou em entrevista recente a um jornal israelense que Israel pode não ter outra opção senão o ataque. "Se o Irã continuar com o seu programa de desenvolvimento de armas nucleares, atacaremos", disse Mofaz em entrevista publicada em 6 de junho no Yediot Aharonot, um dia após o fim dos exercícios. "Atacar o Irã, para interromper os seus planos nucleares, será inevitável".l." Os oficiais israelenses afirmaram aos aliados americanos que a declaração de Mofaz não representava uma política oficial. Porém, oficiais dos EUA disseram que Israel tem preparado planos para atacar alvos nucleares do Irã, e podem lançá-los se necessário. O Irã tem mostrado sinais de que levam os alertas israelenses seriamente, como quando reforçou suas defesas aéreas nas últimas semanas, incluindo o aumento de patrulhas aéreas. "Eles estão muito nervosos com isso e mantêm suas defesas em posição", afirmou um oficial da administração Bush. Qualquer ataque israelense contra instalações nucleares no Iraque enfrentariam uma série de desafios. Muitos especialistas americanos acreditam que tal ataque poderia atrasar, mas não eliminar o programa nuclear do Irã. Boa parte da infra-estrutura do projeto tem instalações subterrâneas, cobertas por terra e concreto e ligadas por longos túneis, o que torna o alvo mais difícil. Além disso, muitas das instalações ainda não foram detectadas e para provocar o máximo de dano possível, Israel precisaria promover múltiplos ataques, o que analistas afirma que está além da habilidade da Força Aérea israelense no momento.

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