Israel sugere 'shoah' para palestinos; ataque mata bebê

Uma palestina de 1 ano de idade e umespecialista em bombas do Hamas foram mortos na sexta-feira porbombardeios israelenses na Faixa de Gaza, no mesmo dia em queum vice-ministro de Israel alertou para a ocorrência de uma"shoah" caso os palestinos não deixem de disparar foguetes. Mas assessores disseram que o vice-ministro da Defesa,Matan Vilnai, usou a palavra "shoah" não no seu sentido maiscomum, de "holocausto", e sim com o significado de "desastre". O Hamas, que organizou manifestações contra Israel em Gaza,viu no comentário uma prova de que seus inimigos são "os novosnazistas". Habitualmente, evita-se usar a palavra "shoah" emIsrael fora do seu contexto histórico da Segunda GuerraMundial. "Quanto mais o fogo dos (foguetes) Qassam se intensificar equanto maior for o alcance dos foguetes, (mais os palestinos)vão atrair para si uma 'shoah' maior, porque vamos usar todo onosso poderio para nos defender", disse o vice-ministro Vilnaià Rádio do Exército. Em três dias de ataques, 35 palestinos morreram, mas nasexta-feira a situação foi ligeiramente mais tranqüila. Um dosbombardeios matou Eyad Al Ashram, que segundo o Hamas era umdos seus maiores especialistas em munições. Médicos disseram que Malak Al Kafarna, de 1 ano, morreu nohospital, vítima de ferimentos na cabeça provocados porestilhaços quando um míssil atingiu sua casa, ferindo quatrooutros civis. Fontes do Hamas disseram que se tratava de um míssilterra-terra de Israel. Moradores das redondezas disseram quealguns mísseis lançados pelos militantes, com defeito, caíramna própria Faixa de Gaza, em vez de aterrissar em Israel. Fontes políticas disseram que o primeiro-ministro EhudOlmert reluta em autorizar uma ofensiva terrestre em grandeescala, e fontes de segurança disseram a rádios locais que háplanos para uma invasão, mas não iminente. Os Estados Unidos pediram a Israel que "considere asconsequências" das suas ações, já que a violência podeprejudicar o processo de paz retomado precariamente desdenovembro. Na semana que vem, a secretária de Estado CondoleezzaRice vai à região para tentar promover a negociação. Líderes israelenses dizem que os disparos de foguetes podemnão lhes deixar opção senão uma ofensiva mais ampla contra opopuloso território litorâneo da Faixa de Gaza, onde vivem 1,5milhão de palestinos e que esteve sob ocupação israelensedurante 38 anos, até 2005. Na quarta-feira, um homem foi morto por um foguetepalestino na localidade israelense de Sderot, o que nãoacontecia desde maio. (Reportagem adicional de Adam Entous, Joseph Nasr e AriRabinovitch em Jerusalém e Wafa Amr em Ramallah)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.