Israel suspende aprovação para construções na Cisjordânia

Medida pode rachar a coalizão de Netanyahu, mesmo que não atenda totalmente aos pedidos dos EUA

Associated Press,

18 de agosto de 2009 | 10h45

Israel suspendeu de maneira discreta a aprovação da construção de novos projetos em assentamentos na Cisjordânia, embora em público o governo continue a rechaçar os pedidos dos Estados Unidos para uma suspensão oficial, disseram funcionários do governo israelense e ativistas pela paz nesta terça-feira, 18.

 

A administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exigiu que Israel suspenda a construção de novos prédios em assentamentos na Cisjordânia, terra que os palestinos reivindicam para o seu futuro Estado. A questão evoluiu para um raro desacordo público entre os dois aliados, os EUA e Israel. A suspensão, no entanto, não vai de encontro ao que os EUA pediram, porque construções aprovadas anteriormente continuam em curso.

 

O escritório do primeiro-ministro do Israel, Benjamin Netanyahu, negou que exista um acordo entre os ministros para suspender as construções. Mas a organização Paz Agora informou que nenhuma construção de novo edifício foi aprovada desde que Netanyahu tomou posse em março deste ano.

 

A decisão de temporariamente paralisar novas construções foi tomada em conjunto pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanhyahu, pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, e pelo ministro da Habitação, Ariel Atias, segundo os funcionários, que falaram sob condição de anonimato.

 

Um possível anúncio oficial da política de paralisação pelo governo de Israel poderia estremecer as relações da coalizão governista no país, cuja maioria é formada por linhas-duras. O Partido Yisrael Beitenu, o mais importante da coalizão, mostrou-se descontente com o rumores. "Espero que a publicação do congelamento da construção de assentamentos seja apenas um rumor, porque não ouvimos nada sobre isso e certamente é algo que não aceitamos", disse Danny Ayalon, do partido da coalizão e vice-premiê de Israel.

 

Existem atualmente 300 mil colonos judeus na Cisjordânia, que vivem entre 2,5 milhões de palestinos. Outros 180 mil israelenses vivem em Jerusalém Leste, o setor árabe da Cidade Santa, o qual foi tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.