Israel 'tem compromisso com a paz, não com Estado palestino'

Chanceler ultranacionalista inicia giro pela Europa, mas evita falar de solução de 2 países apoiada pelo Ocidente

Agências internacionais,

04 de maio de 2009 | 11h54

O ministro de Relações Exteriores israelense, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, afirmou nesta segunda-feira, 4, que está comprometido com a paz no Oriente Médio, mas não apoiou a ideia da criação de um Estado palestino, proposta endossada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Lieberman, cujas declarações antiárabes acirraram os nervos diplomáticos, iniciou um giro pela Europa em Roma, onde evitou falar sobre a solução de dois Estados, colocando Israel em rota de colisão com os esforços Ocidentais para o conflito.

 

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"O objetivo deste governo não é produzir slogans ou fazer declarações pomposas, mas alcanças resultados concretos", afirmou o chanceler israelense quando questionado sobre o endosso ao Estado palestino. Durante entrevista coletiva ao lado do ministro de Exteriores italiano, Franco Frattini, Liebeman disse estar confiante de que o gabinete liderado pelo premiê Benjamin Netanyahu conseguirá "um acordo de paz seguro e definitivo com os palestinos e as nações árabes".

 

Lieberman enfatizou que o governo israelense ainda está definindo sua política externa, a qual premiê israelense deve apresentar a Barack Obama durante encontro neste mês. Netanyahu, que assumiu o cargo em março, também recusa apoiar a ideia de um Estado palestino independente - proposta endossada pelos negociadores dos EUA e da Europa.

 

O chanceler israelense, que faz sua primeira viagem oficial no cargo, deve se reunir com o premiê italiano, Silvio Berlusconi, na terça-feira. Da Itália, Lieberman segue para França, Alemanha e República Checa. O ministro diz que pretende aproveitar a viagem pela Europa para trocar opiniões sobre as novas políticas israelenses e impulsionar as relações com a UE, ameaçadas por conta das negociações com os palestinos. Reforças os laços europeus pode garantir a Israel maior acesso aos mercados do continente, maior cooperação em áreas como energia, meio ambiente e no combate ao crime e ao terrorismo.

 

Na semana passada, a comissária de Relações Exteriores europeia, Benita Ferrero-Waldner, defendeu o congelamento a ampliação das relações entre o bloco e Israel diante da recusa de Netanyahu de aceitar publicamente a criação de um Estado palestino como solução ao conflito do Oriente Médio. A UE decidiu no ano passado ampliar suas relações com o Estado judeu, mas o projeto está parado desde a ofensiva israelense em Gaza no começo do ano, na qual morreram cerca de 1.400 palestinos, em sua maioria civis.

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