Israel tem dúvidas sobre roubo de militares a ativistas de frota turca

Militares foram detidos após denúncias de que pertences não foram devolvidos após ataque

Efe

19 de agosto de 2010 | 11h38

JERUSALÉM - O Exército de Israel informou nesta quinta-feira, 19, que ainda não há provas de que a recente detenção de quatro militares esteja relacionada com o roubo de computadores e outros aparelhos tecnológicos de ativistas da frota humanitária que se destinava a Gaza e foi atacada em 31 de maio.

 

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"Neste momento não temos certeza de que os equipamentos provêm realmente do (navio) Mavi Marmara", afirma um comunicado militar em reação às informações sobre a detenção dos quatro militares, entre eles um oficial. A nota de imprensa acrescenta que o caso está sendo investigado pelas forças de segurança, e por isso não podem ser publicados mais detalhes.

 

Vários jornais israelenses informaram em suas edições desta quinta-feira que os quatro militares tinham sido detidos sob a suspeita de roubo aos ativistas que estavam no Mavi Marmara, cuja frota foi atacada por soldados israelenses de elite em um ataque que causou a morte de nove ativista turcos.

 

Depois do ataque, os ativistas foram levados ao porto de Ashdod, ao sul de Tel Aviv, e seus pertences foram confiscados pelo Exército e pela Polícia israelenses.

 

Pouco depois, surgiram as primeiras denúncias de alguns ativistas, que afirmaram não ter recebido de volta seus pertences. Além disso, um jornalista italiano que estava no navio afirmou que seu cartão de crédito tinha sido usado.

 

Entre os detidos, segundo a imprensa, está um tenente do Exército que supostamente vendeu alguns dos equipamentos roubados a um amigo, que revendeu o material a outras pessoas, informou nesta quinta-feira a imprensa local.

 

Um oficial de alto cargo do Exército israelense disse à edição eletrônica do Yedioth Ahronoth que "a investigação acaba de começar", mas que "a situação será embaraçosa e vergonhosa". "Estes são soldados que não entendem o que representa o uniforme que vestem", disse.

 

O caso se soma ao escândalo protagonizado há alguns dias por uma soldado que, após licenciar-se, publicou no Facebook fotos que tinha feito com prisioneiros palestinos de Gaza algemados e com os olhos vendados.

 

O ataque ocorreu no dia 31 de maio e deixou nove ativistas turcos mortos. O episódio causou revolta na comunidade internacional, principalmente entre os países islâmicos e árabes, e fez com que as relações entre Turquia e Israel fossem danificadas. O caso também fez com que as atenções fossem voltadas para o bloqueio do Estado judeu ao território palestino, posteriormente revisto.

 

Israel conduz uma investigação sobre o caso e só permitiu a entrada de estrangeiros na comissão depois de pressões internacionais. A ONU e a Turquia também realizam inspeções.

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