Israel tem toda a culpa por mortes em frota no mar, diz Turquia

Israel deveria admitir sua total responsabilidade pela morte de nove ativistas durante um confronto naval em maio na costa da Faixa de Gaza, disse nesta terça-feira o chanceler turco, Ahmet Davutoglu.

REUTERS

10 de agosto de 2010 | 10h45

Uma comissão de inquérito da ONU sobre o incidente deve se reunir pela primeira vez ainda na terça-feira. A morte dos ativistas, que tentavam furar o bloqueio israelense e levar mantimentos aos palestinos de Gaza, quase levou ao rompimento das relações entre Turquia e Israel, antes aliados próximos.

"Ninguém mais pode levar a culpa pela morte de civis em águas internacionais", disse Davutoglu a jornalistas. "Israel matou civis, e deveria assumir a responsabilidade por fazê-lo."

O ministro turco parecia estar respondendo a declarações feitas na segunda-feira pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no inquérito realizado pelo próprio governo israelense.

Netanyahu disse que a Turquia ignorou repetidos alertas e apelos "no mais alto nível" para interromper a viagem das embarcações, organizada por uma entidade beneficente islâmica com sede na Turquia.

"A Turquia não tem responsabilidade no ataque à flotilha do (navio) Mavi Marmara," disse Davutoglu.

Na terça-feira, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse à comissão israelense que seu país esgotou todas as opções antes de invadir o Mavi Marmara.

Depois do incidente, a Turquia retirou seu embaixador de Tel Aviv e cancelou exercícios militares conjuntos. O governo turco exige que Israel peça desculpas e indenize parentes das vítimas.

Israel diz que seus militares alvejaram os ativistas em legítima defesa, pois foram agredidos ao descerem de helicóptero no convés no navio.

A Turquia já foi o principal aliado islâmico de Israel, mas as relações vinham se deteriorando desde dezembro de 2008, quando o primeiro-ministro Tayyip Erdogan condenou uma ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.

Israel diz que o embargo à Faixa de Gaza é necessário para evitar que o grupo islâmico Hamas obtenha armas ilegalmente. Após a reação internacional contra o incidente naval, Israel atenuou o embargo.

(Reportagem de Tulay Karadeniz)

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