Israel teme resposta do Hezbollah após morte de líder

Governo reforça segurança de embaixadas por conta de possível retaliação do grupo islâmico libanês

Reuters e Associated Press,

14 de fevereiro de 2008 | 07h30

Israel colocou nesta quinta-feira, 14, suas embaixadas e outras instalações do país no exterior sob alto alerta, além de ter aumentado a mobilização de tropas na fronteira com o Líbano, após o assassinato de um importante comandante da guerrilha Hezbollah. O grupo militante libanês e o Irã acusaram Israel de matar Imad Moughniyah com um carro-bomba em Damasco, na terça-feira. O governo israelense nega a acusação, embora o serviço de espionagem Mossad há muito tempo classificasse Moughniyah como terrorista. Moughniyah foi o mais sênior integrante do Hezbollah a ser morto desde que o secretário-geral anterior do grupo, Abbas Mussawi, morreu em 1992 em uma emboscada de helicóptero israelense, no sul do Líbano. Moughniyah também integrava a lista dos homens mais procurados pelos EUA. "Nossas missões diplomáticas estão em alto alerta e isso poderá se estender por semanas ou até meses - dependendo de nossa avaliação de risco", disse uma fonte de segurança. Os especialistas questionam o quão rapidamente o Hezbollah poderá tentar vingar a morte de Moughniyah ao atacar Israel, devido ao impasse entre os dois lados desde a guerra de 2006 no Líbano. "Retaliação significará uma mudança nas regras do confronto com Israel", observou uma fonte política libanesa. "Tal decisão precisar ser tomada com cabeça fria, então não haverá pressa para responder." O Departamento de Estado dos Estados Unidos recebeu com satisfação nesta quarta-feira a notícia da morte do comandante extremista. Sean McCormack, porta-voz da chancelaria americana, disse ainda que os Estados Unidos não dispõem de informações independentes quanto ao episódio que resultou na morte de Moughniyah, um obscuro líder do Hezbollah. "O mundo é um lugar melhor sem ele", opinou McCormack. "De uma forma ou de outra, a justiça foi feita", prosseguiu. Os EUA acusam Moughniyah de numerosos atos extremistas nos quais centenas de americanos morreram. O nome de Moughniyah figurava na lista de homens mais procurados pela polícia federal americana (FBI, por sua iniciais em inglês). A recompensa oferecida por informações que levassem a sua captura era de US$ 5 milhões. Moughniyah, um destacado líder do Hezbollah, foi um dos mais notórios extremistas durante as décadas de 1980 e 1990, mas pouco se falou nele no decorrer dos últimos 15 anos. Procurado há anos pelos serviços secretos americanos, estava entre os indiciados nos Estados Unidos pelo seqüestro, em 1985, de um avião da TWA no qual um mergulhador daMarinha dos Estados Unidos foi morto. Ele também era suspeito de ter arquitetado, dois anos antes, os ataques simultâneos contra a Embaixada dos EUA e contra uma base de fuzileiros navais americanos e franceses em Beirute nos quais 362 pessoas morreram, sendo 258 americanos. Também recaía sobre Moughniyah a suspeita de ter orquestrado numerosos seqüestros de americanos, entre eles o do ex-chefe da sucursal da Associated Press no Oriente Médio Terry Anderson.

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