Israel tenta atrair voos internacionais de volta a Tel Aviv

As autoridades israelenses enfatizaram o sucesso do sistema interceptador de mísseis Domo de Ferro

STEVEN SCHEER, REUTERS

23 Julho 2014 | 17h24

Israel tentou nesta quarta-feira convencer companhias aéreas dos Estados Unidos e da Europa a voltarem a pousar em Tel Aviv após a suspensão de alguns serviços, insistindo que o seu principal aeroporto é seguro, apesar de ser alvo de foguetes palestinos.

As autoridades israelenses enfatizaram o sucesso do sistema interceptador de mísseis Domo de Ferro na proteção do Aeroporto Ben-Gurion contra foguetes disparados por militantes na Faixa de Gaza, assim como a medida preventiva de reduzir o espaço aéreo desde o início dos combates em 8 de julho.

Israel também disse que as companhias aéreas estrangeiras podem usar um aeroporto alternativo mais ao sul, no deserto.

Cerca de 30 empresas aéreas suspenderam os voos ao Ben-Gurion. Três delas eram norte-americanas, agindo de acordo com a uma proibição emitida na terça-feira pela Autoridade Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), que foi ampliada em 24 horas nesta quarta-feira.

A Turkish Airlines também estendeu a suspensão dos seus voos por mais um dia.

A FAA afirma estar reagindo a um foguete palestino que atingiu um edifício a dois quilômetros do aeroporto. Israel argumenta que o dano foi causado pelos destroços do artefato, abatido pelo Domo de Ferro.

“Nosso aeroporto é seguro. E esperamos que as aéreas norte-americanas voltem a voar para Israel logo", declarou Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em entrevista à rede MSNBC.

Mesmo assim, a maioria das companhias aéreas europeias seguiu o exemplo, reduzindo drasticamente seus voos ao Ben-Gurion, aeroporto de médio porte normalmente muito movimentado durante o verão.

Autoridades israelenses classificaram a determinação da FAA como muito precipitada e influenciada pelo nervosismo causado pela derrubada de um avião de passageiros da Malaysia Airlines na Ucrânia na semana passada.

O diretor-geral da Autoridade Civil de Aviação de Israel, Giora Romm, disse ter falado com seus colegas na FAA e dado à agência dos EUA uma série de informações sobre a segurança do aeroporto.

Romm descartou comparações entre os foguetes relativamente simples feitos pelos militantes de Gaza e o míssil russo guiado por radar que o Ocidente acredita ter derrubado o voo da Malaysia Airlines e matado todas os 298 pessoas a bordo.

“Estou um pouco aborrecido com a histeria daquele foguete (de Gaza)", declarou ele à Reuters. "Um dos argumentos mais inacreditáveis é que há uma relação entre os foguetes e o míssil terra-ar que derrubou o avião na Ucrânia.”

Os EUA ainda analisam a capacidade dos projéteis do Hamas, informou o Departamento de Estado norte-americano em um comunicado, que diz que o Hamas possui foguetes que podem alcançar o aeroporto, embora sua precisão seja limitada. Não se determinou se o grupo palestino tem mísseis guiados por calor, segundo o documento.

(Reportagem adicional de Tova Cohen, Ari Rabinovitch e Arshad Mohammed)

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