Israel teria acordo com os EUA sobre assentamentos, diz jornal

Uma carta de Bush autorizando construções teria sido enviada a Ariel Sharon há 4 anos; governo americano nega

24 de abril de 2008 | 15h28

Uma carta do presidente americano George W. Bush enviada pessoalmente ao então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon há quatro anos colocava um obstáculo relevante para os esforços do líder americano em criar um acordo de paz entre israelenses e palestinos durante seu último ano de governo. Ehud Olmert, o atual premiê israelense, disse nesta semana que a carta de Bush dava permissão ao Estado judeu para expandir os assentamentos na Cisjordânia, que acredita-se reter um acordo de paz, apesar do plano oficial do líder americano pedir para que Israel detenha o avanço dos assentamentos em territórios palestinos, segundo o jornal Washington Post.   Veja também: Rice diz que Carter confunde processo de paz no Oriente Médio Hamas diz que admite Estado palestino nas fronteiras de 1967   Numa entrevista nesta semana, o chefe da equipe de Sharon, Dov Weissglas, disse que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reafirmou sua posição em um acordo secreto entre Israel e Estados Unidos, firmado em 2005, antes de Israel retirar-se de Gaza.   O governo americano diz que tal acordo não existe. Em entrevistas recentes, Condoleezza criticou publicamente a expansão dos assentamentos nos subúrbios de Jerusalém, que Israel não conta oficialmente como assentamentos. Mas as negociações de paz avançaram nos últimos meses, assim como o ritmo dos assentamentos, enfurecendo as autoridades palestinas. Washington não declarou nenhuma ação de punição contra Israel.   Autoridades israelenses alegam que têm clara direção da administração Bush para continuar construindo assentamentos, desde que tenham cuidadosos critérios negociados, apesar deste entendimento parecer contraditório à política americana.   Muitos estudiosos dizem que a construção de um novo assentamento minaria a política do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas - que está reunido nesta quinta-feira, 24, com o líder americano - e provocaria o cinismo palestino diante do processo. Os palestinos vêem os assentamentos como esforços israelenses de reinvindicação das terras. Em um encontro com Condoleezza na quarta-feira, Abbas disse que as construções "são um dos maiores obstáculos para um acordo de paz."   "Isso estava claro desde o primeiro dia de Abbas, Rice e Bush que a construção poderia avançar em concentrações populacionais - as áreas mencionadas na carta de Bush", disse Olmert em uma entrevista publicada no domingo no jornal israelense Yedioth Ahronoth. "Eu direi isso de novo hoje: Beitar Illit será construído, Gush Etzion será construído; há uma construção em Pisgat Ze'ev e nas vizinhanças judias de Jesuralém", referindo-se aos novos planos de expansão. "Está claro que essas áreas continuarão sob o controle de Israel em qualquer futuro assentamento."   Numa frase chave da carta de Bush, o presidente americano declarou: "Sob a luz das novas realidades dos territórios, incluindo os que já existem nos maiores centros populacionais de Israel, não é realista esperar que o resultado das negociações finais será um completo retorno para as linhas armistícias de 1949."   Para "reafirmar" o acordo entre Estados Unidos e Israel, Weissglas declarou em um comunicado que, apesar das restrições de Condoleezza sobre o avanço dos assentamentos, a construção poderá ser feita "com acordos de princípios nas atividades", o que incluiria "uma melhor definição para a linha de construção" na Cisjordânia. Um time americano-israelense poderia "definir em conjunto a linha de construção de cada assentamento."   Weissglas disse ainda que a carta foi feita sob um acordo prévio entre o então ministro do Exterior Shimon Peres e o secretário de Estado na ocasião, Colin L. Powell, que permitiria que Israel construísse assentamentos nas linhas existentes. Mas Powell negou. "Eu nunca concordei com isso", disse em um e-mail.   "Não há acordo", disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe, em relação às declarações de Weissglas.   As construções diminuíram 33% desde 2003, de acordo com o Centro Israelense de Estatísticas. Mas oficiais dizem que é um dano político para Olmert admitir isso, então é divulgado que ele está construindo novos assentamentos, que atualmente abrigam cerca de 450 mil israelenses.

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