Israelenses criticam ameaça 'política' de Mofaz contra o Irã

Autoridades de defesa e analistaspolíticos israelenses criticaram o vice-primeiro-ministro ShaulMofaz no domingo depois de ele ter ameaçado com ataques contrao Irã, acusando-o de explorar o receio de guerra para promoversuas ambições políticas pessoais. Ex-chefe das Forças Armadas e provável rival doprimeiro-ministro Ehud Olmert no Partido Kadima, ao qual ambospertencem, Mofaz disse em entrevista concedida a um jornal nasemana passada que ataques israelenses ao Irã parecem"inevitáveis", em vista do avanço nos planos nucleares deTeerã. As declarações dele ajudaram a elevar o preço do petróleoem quase 9 por cento na sexta-feira, para o recorde de 139dólares o barril, e atraíram reação circunspeta de Washington,que defende a imposição de sanções da ONU contra o Irã e apenasdeixou entrever a possibilidade de recorrer à força em últimainstância. Enquanto a Casa Branca sugeriu que Mofaz teria expressado omedo que o Estado judaico sentiria da república islâmica,funcionários do Ministério da Defesa israelense apontaram paraa luta de poder travada no Kadima no momento em que Ehud Olmerttenta livrar-se de um escândalo de pagamento de propinas. "Converter uma das questões de segurança mais estratégicasem jogo político, usando-a para finalidades internas numasuposta campanha no Kadima, isso é algo que não se deve fazer",disse à rádio Israel o vice-ministro da Defesa Matan Vilnai. A emissora estatal citou outro funcionário sênior da Defesacomo tendo dito que a entrevista de Mofaz "não reflete apolítica de Israel" e "pode dificultar ainda mais a tentativade Israel de convencer mais países a intensificar suas sançõescontra o Irã". Indagada sobre as críticas, uma assessora de Mofaz, TaliaSomech, disse que ele falou "devido a seus mais de 40 anos decompromisso com a segurança nacional de Israel." "Gostaríamos que suas declarações fossem lidas literalmentee não recebessem interpretações alternativas", disse aassessora à Reuters. Mofaz, que nasceu no Irã, foi ministro da Defesa até queOlmert o transferiu para o Ministério dos Transportes, numamudança do gabinete promovida em 2006.

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