Israelenses criticam decisão de abrir estrada a palestinos

Rodovia, chamada de 'estrada do apartheid', estava vedada aos palestinos desde 2002, após ataques na região

Efe,

30 de dezembro de 2009 | 08h29

Parentes de vítimas israelenses de ataques palestinos criticaram nesta quarta-feira, 30, a decisão do Tribunal Supremo de revogar a proibição aos palestinos de ter acesso à estrada 443, que liga Jerusalém e Tel Aviv através da Cisjordânia ocupada.

 

A máxima corte israelense ordenou nesta última terça-feira que o Exército abra de novo aos palestinos nos próximos meses a rota que tiveram vedada durante uma década, em maior ou menor medida, por causa de ataques contra carros de israelenses no início da Segunda Intifada.

 

O Supremo considera desproporcional esta interdição, que tinha levado organizações de direitos humanos a acusar o Exército do país de ter transformado a 443 em uma "estrada do apartheid" em território palestino.

 

Cerca de 40 mil veículos usam a via todos os dias - até então "só para israelenses" -, que, desde sua construção, nos anos 80, se transformou em uma popular alternativa aos engarrafamentos da estrada 1 para ir de Jerusalém a Tel Aviv, segundo dados apresentados ao tribunal pela Associação para os direitos Civis de Israel (Acri), que representava 25 palestinos.

 

A presidente Dorit Beinisch e Uzi Vogelman, os dois juízes que votaram a favor, frente a um que se opôs, lembra que o Supremo aprovou a desapropriação de terrenos palestinos para a construção da estrada porque o Exército argumentou que também beneficiaria a população palestina.

 

Mas, desde 2002, o Exército israelense impedia o acesso dos palestinos à estrada 443, tanto a pé quanto de carro, por meio de grandes blocos de cimento, montes de areia ou lixo e outros tipos de obstáculos nas entradas que vinham de seus povoados.

 

Após o anúncio, parentes de vítimas israelenses de ataques palestinos na 443 e deputados direitistas criticaram uma medida que consideram um estímulo para o terrorismo.

 

Haim Bibas, prefeito da cidade israelense de Modi'in, ligada à via, considerou a decisão "completamente desligada da realidade".

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