Israelenses e palestinos divergem em diálogo, dizem EUA

Partes concordam que é preciso retomar negociações, mas 'persistem diferenças sobre como proceder'

Efe,

22 de setembro de 2009 | 17h23

Ao lado de Obama, Netanyahu cumprimenta Abbas em Nova York. Foto: AP

 

NOVA YORK - Israelenses e palestinos concordam com a necessidade de retomar as conversas de paz assim que possível, mas "persistem as diferenças sobre como proceder", afirmou nesta terça-feira, 22, enviado dos Estados Unidos no Oriente Médio, George Mitchell. Ele fez estas declarações à imprensa ao final da reunião entre o líder americano, Barack Obama; o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu; e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

O enviado americano, que na semana que vem se reunirá com representantes das duas partes em Washington, ressaltou que a prioridade para os EUA é restabelecer as negociações de paz e seu governo não impõe condições prévias para iniciá-las. Os palestinos se negam a restabelecer as conversas com Israel enquanto esse país não paralisar os assentamentos nos territórios ocupados. O governo de Netanyahu afirma que o destino dos assentamentos deve ser decidido durante as conversas.

 

Sobre a questão, Mitchell insistiu em que "nada é uma condição prévia. O que queremos é começar as negociações. Os Estados Unidos não impõem condições e pedimos a outros que também não as imponham". Desde sua chegada ao poder, Obama pressionou Israel para que interrompa a construção de assentamentos, algo que incomodou o governo de Netanyahu.

 

Segundo Mitchell, as conversas de hoje se desenvolveram em um tom "cordial", mas também "direto e franco, às vezes taxativo". Obama começou a sessão com diferentes reuniões bilaterais com Netanyahu e Abbas de quase 40 minutos cada uma, antes de realizar o encontro trilateral, o primeiro de seu mandato e a primeira vez em que ocorria uma reunião a tão alto nível entre israelenses e palestinos em quase um ano.

 

Em declarações no início da reunião, o presidente americano afirmou que israelenses e palestinos devem fazer mais para "retomar as conversas de paz o mais rápido possível", ao começar o encontro trilateral. Após um aperto de mãos aos dois líderes em sua primeira reunião trilateral desde a chegada do atual presidente à Casa Branca, em janeiro, Obama afirmou que tanto o primeiro-ministro israelense quanto o presidente da ANP devem "mostrar sua disposição em conseguir resultados" e não se limitar a meras palavras.

 

Segundo Obama, embora desde janeiro tenham sido alcançados progressos, os palestinos devem continuar fazendo mais em matéria de segurança e os israelenses, que deram passos para melhorar a liberdade de movimentos e frear a atividade dos assentamentos, "devem continuar esses esforços". Além disso, os Estados árabes devem "dar passos para promover a paz", disse o chefe da Casa Branca, ao final de reuniões bilaterais que caracterizou como "francas e produtivas."

 

Em suas declarações, o presidente americano expressou o "compromisso dos EUA com uma paz duradoura e completa no Oriente Médio, que inclua o fim do conflito entre israelenses e palestinos através da existência de dois Estados que convivam."

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