Israelenses e palestinos retomam diálogo e dizem que acordo é possível

Netanyahu pede concessões dolorosas e mútuas; Abbas quer fim de colônias e bloqueio a Gaza

Luiz Raatz, estadão.com.br

02 de setembro de 2010 | 11h57

Netanyahu e Abbas se cumprimentam. Foto: J. Scott Applewhite/AP

SÃO PAULO  - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, abriu as negociações diretas de paz entre israelenses e palestinos nesta quinta-feira, 2, em Washington com uma declaração conjunto no departamento de Estado ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Ambos se comprometeram a fazer concessões para alcançar um acordo em um ano.

 

Veja também:

blog Radar Global: Veja como foi a reunião

especialInfográfico: As fronteiras da guerra no Oriente Médio

especialLinha do tempo: Idas e vindas das negociações de paz

forum Enquete: Qual a melhor solução para o conflito?

 

"A paz verdadeira só pode ser alcançada com concessões dolorosas e mútuas. O povo de Israel esta preparado a percorrer um longo caminho em um curto espaço de tempo", disse o premiê israelense, em discurso transmitido pela CNN.

 

Netanyahu ainda resumiu as duas condições que vê como fundamentais para a paz: o reconhecimento do Estado de Israel e garantias de segurança para seu povo.

 

Abbas voltou a pedir o fim da expansão de assentamentos na Cisjordânia, cujo congelamento provisório acaba no dia 26, e do bloqueio israelense à Faixa de Gaza. "Estamos esperançosos com negociações que podem levar a uma paz justa", disse.

 

O presidente da ANP lembrou que nos acordos de Oslo, assinados em 1993, os palestinos se comprometem a reconhecer a existência de Israel. Abbas disse ainda que ordenou a busca dos suspeitos pela morte de quatro colonos judeus na Cisjordânia, dois dias atrás.

 

Hillary, por sua vez, repetiu o que o presidente americano, Barack Obama,  disse no dia anterior. "Não podemos e não iremos impor uma solução", disse. Após os pronunciamentos, a secretária se reuniu a portas fechadas com Abbas, Netanyahu, o presidente do Egito, Hosni Mubarak o rei da Jordânia, Abdullah II, o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell e o representante do Quarteto (EUA, Rússia, UE e ONU), Tony Blair.

 

Na quarta-feira, os dois líderes se encontraram separadamente com Obama na Casa Branca e jantaram com ele na Casa Branca, junto com Mubarak e Abdullah II.

 

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estavam paralisadas há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza. No início de maio, porém, os lados anunciaram a retomada das conversas, embora nenhum progresso tenha sido feito até então.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

 

Leia mais:

linkNetanyahu e Abbas farão reuniões quinzenais

linkColonos israelenses retomam construção de assentamentos

linkHamas promete manter ataques contra Israel

linkBraço armado do Hamas realiza mais um ataque

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.