Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Israelenses e palestinos retomarão negociações para acordo de paz

Abbas e Netanyahu se encontrarão com Hillary em Washington no próximo dia 2 de setembro

Luiz Raatz e João Coscelli - estadão.com.br,

20 de agosto de 2010 | 12h09

SÃO PAULO - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou nesta sexta-feira, 20, a retomada de negociações de paz entre israelenses e palestinos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, devem se encontrar com Hillary em Washington no dia 2 de setembro.  Ambos os lados confirmaram a presença no encontro. 

 

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O  presidente americano, Barack Obama, receberá  o rei Abdullah, da Jordânia, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o enviado do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, Rússia, UE e ONU), Tony Blair, em um jantar em Washington no dia primeiro.

 

Segundo Hillary, a retomada das negociações deve culminar com a criação de um Estado palestino em um ano. As conversas serão relançadas sem precondições. 

 

Esperança de acordo

 

"Haverá dificuldades pela frente. Os inimigos da paz tentarão nos derrotar. Mas continuaremos seguindo em frente por momentos difíceis", disse a secretária de Estado em anúncio transmitido pela CNN.

 

O enviado especial dos EUA para a região, George Mitchell, que participou do anúncio, afirmou que o restabelecimento do diálogo entre israelenses e palestinos teve o reconhecimento e a aprovação de ambas as partes.

 

"Acredito que haja muitos interesses dos dois lados envolvidos, e acredito que seus líderes acreditam nessa negociação", disse. "Farei o possível para mostrar a Netanyahu e a Abbas que é possível chegar a um acordo. Sabemos que é difícil, mas temos paciência e perseverança e vamos continuar perseguindo esse objetivo".

 

Mitchell foi o mediador das conversas indiretas entre Israel e ANP nos últimos meses, e realizou várias rodadas de negociações. O enviado americano viajava de Ramallah, na Cisjordânia, para Jerusalém, em Israel, levando as propostas de um lado ao outro.

 

Em comunicado divulgado simultaneamente ao anúncio de Hillary, o Quarteto para o Oriente Médio, grupo formado por EUA, UE, Rússia e ONU para mediar o conflito, pediu que israelenses e palestinos compareçam ao encontro de Washington e que Israel pare a construção de assentamentos no território ocupado, além de apelar para que os dois lados mantenham a calma e evitem ações provocativas e a retórica inflamada

 

Entenda o impasse

 

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estavam paralisada há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e matou milhares de civis. No início de maio, ambos os lados começaram a negociar a retomada das conversas.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia.  O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

 

 

Repercussão do anúncio:

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Atualizada às 18h15

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