Jimmy Carter encontra presidente sírio e verá líder do Hamas

O ex-presidente dos Estados UnidosJimmy Carter reuniu-se nesta sexta-feira com o presidente daSíria, Bashar al-Assad, dando início a uma rodada de encontrosnos quais deverá tratar também do caso de um soldado israelensecapturado pelo Hamas. A reunião de Carter com Assad aconteceu antes denegociações com líderes exilados do Hamas, o grupo islâmicoque, segundo o norte-americano, deveria ser incluído nosesforços para selar a paz entre israelenses e palestinos. O ex-presidente, que está viajando pelo Oriente Médio paraouvir opiniões sobre o conflito, vai se encontrar, mais tarde,com Khaled Meshaal, um líder do Hamas, e com outros integrantesdo primeiro escalão do grupo em uma das mais importantesreuniões dessa organização com um dirigente ocidental. Carter e Assad posaram para fotos antes de sua reunião nopalácio presidencial. Uma fonte familiarizada com asnegociações disse que o ex-presidente norte-americanoabordaria, nos encontros, o caso do soldado israelense mantidoem poder do Hamas. Esforços anteriores para selar um acordo entre o grupoislâmico e Israel envolvendo o soldado, capturado porcombatentes palestinos em 2006 em uma ação realizada dentro doterritório israelense, não renderam frutos. "Carter está muito otimista. As declarações feitas pelosque o criticam tornaram-no mais resoluto quanto a perseguir umavia alternativa em relação ao Hamas. Ele está confiante napossibilidade de os encontros acabarem com o sofrimento dosoldado", disse uma fonte. Em uma proposta entregue a Carter nesta semana, um ministrodo governo israelense sugeriu encontrar-se com a liderança doHamas para negociar a libertação do soldado mantido na Faixa deGaza -- uma manobra que contrariaria a política oficial deIsrael. O ex-presidente, que mediou o tratado de paz de 1979 entreIsrael e o Egito quando ocupava o poder, reuniu-se com duasautoridades do Hamas no Cairo depois de o Estado judaicoter-lhe negado permissão para entrar na Faixa de Gaza, onde osdois moram. Os dois teriam afirmado a Carter que aceitariam um acordode paz com Israel negociado pelo presidente palestino, MahmoudAbbas, líder da facção rival Fatah, se os palestinos aprovassemesse acordo em um referendo. OPINIÃO DO HAMAS No entanto, um deles, Mahmoud al-Zahar, escreveu nestasemana que um processo de paz não começaria enquanto Israelcontinuasse ocupando as terras que invadiu na guerra de 1967. O Estado judaico, afirmou Zahar, precisaria sair daCisjordânia e da Faixa de Gaza, desmantelar todos os seusassentamentos e encerrar o "bloqueio" aéreo, marítimo eterrestre à Faixa de Gaza. O comentarista palestino Ali Badwan disse que os encontrosde Carter com o Hamas poderiam contribuir para minar osesforços liderados pelos EUA com vistas a isolar o grupo, quese recusa a abandonar a luta armada e a reconhecer os acordosde paz já selados entre os palestinos e Israel. "Carter é uma figura respeitada e sua visita pode encorajaralguns do Ocidente a abrir canais de comunicação com o Hamas",disse Badwan. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, não se reuniucom o ex-presidente durante sua visita ao territórioisraelense, e o governo norte-americano criticou-o por mantercontatos com o Hamas, acusado pelos EUA e por Israel de ser umgrupo terrorista. Carter manifestou simpatia pelos palestinos durante suavisita, descrevendo o bloqueio à Faixa de Gaza como um crime euma atrocidade.

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