Jimmy Carter se encontra com líder do Hamas na Síria

Ex-presidente americano transmitiu disposição de ministro israelense em negociar caso do soldado Gilad Shalit

AP,

18 de abril de 2008 | 17h00

Apesar das críticas dos governos de Israel e dos Estados Unidos, o ex-presidente americano Jimmy Carter reuniu-se nesta sexta-feira, 18, em Damasco, com o líder do Hamas no exílio, Khaled Meshal, e outros membros do grupo radical palestino e discutiu a situação do soldado israelense Guilad Shalit, capturado por milicianos palestinos em junho de 2006. Carter, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2002, mediou o acordo de paz de Israel com o Egito em 1979, o primeiro entre o Estado judeu e um país árabe.   Veja também: Jimmy Carter encontra presidente sírio e verá líder do Hamas Jimmy Carter se reúne com delegação do Hamas no Cairo   O ex-presidente de 83 anos pediu ao líder do Hamas (que controla a Faixa de Gaza desde junho) o fim dos disparos de foguetes do território contra Israel, afirmou Abu Marzuk, membro exilado do grupo que participou do encontro. Segundo ele, Carter e Meshal também discutiram a possibilidade de uma trégua entre o Hamas e Israel, assim como meios de incluir o grupo nas conversações de paz. Carter também se reuniu separadamente com o presidente sírio, Bashar Assad. Segundo fontes palestinas, Carter transmitiu a Meshal a disposição do vice-primeiro-ministro israelense Eli Yishai de negociar para obter a libertação de Shalit. No final do mês passado, Yishai, líder do partido religioso Shas, pediu a seu governo que negociasse com o Hamas pouco depois de Meshal ter declarado que o soldado ainda estava vivo. A posição de Yishai contrasta com a linha do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de não manter negociações diretas com o Hamas. Olmert disse hoje ao jornal Yediot Ahronot que não quis se reunir com Carter durante sua estada em Israel para não criar a impressão de que estava negociando com o Hamas. Não foram revelados detalhes sobre a reunião de Carter e Meshal. Mas Mahmud Zahar, um membro de alto escalão do Hamas, disse à agência egípcia Mena que Shalit só será libertado se Israel soltar os presos palestinos relacionados numa lista preparada pelo grupo. Zahar liderou uma delegação que se reuniu no Cairo na quinta-feira com Carter. O Hamas entregou há algum tempo a Israel uma lista de 450 presos para serem libertados em troca de Shalit, mas o governo israelense afirmou que a maioria não poderia ser solta porque estava implicada em ataques violentos. O analista político palestino Ali Badwan disse que as reuniões de Carter com membros do Hamas poderão ajudar a minar a estratégia dos EUA de isolar o grupo, que rejeitou abandonar a luta armada e reconhecer os acordos já assinados entre palestinos e israelenses. "Carter é uma figura muito respeitada e sua visita pode animar alguns no Ocidente a abrir canais com o Hamas", disse Badwan. "Uma das razões que eu quis vir e me reunir com os sírios e o Hamas foi dar um exemplo que pode ser seguido por outros", disse Carter. "Sei que há funcionários no governo israelense que estão dispostos a se encontrar com o Hamas." O Departamento de Estado dos EUA advertiu contra a reunião com os líderes do Hamas mesmo antes de Carter partir para o Oriente Médio. A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, disse na semana passada que o Hamas era um impedimento à paz na região.

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