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Jornalista americana pode deixar o Irã na próxima semana

Roxana Saberi agradece apoio para deixar prisão iraniana depois de ser condenada por espionagem

Agências internacionais,

12 de maio de 2009 | 09h05

A jornalista norte-americana Roxana Saberi disse nesta terça-feira, 12, estar muito feliz por sua libertação de um presídio iraniano. Roxana agradeceu àqueles que a ajudaram na busca pela liberdade, após cumprir quatro meses de prisão, ao ser condenada por espionar para os Estados Unidos. Segundo o seu advogado, Abdolsamad Khorramshahi, Roxana deve deixar o Irã na próxima semana.

 

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A repórter concedeu entrevista coletiva, em seu primeiro contato com a imprensa desde a libertação, na segunda-feira. Roxana, de 32 anos, disse que não tem planos específicos para o momento, mas queria passar mais tempo com a família. "Eu estou muito feliz por ter sido libertada e ter reencontrado meu pai e minha mãe. Estou muito agradecida a todos que me conheciam e não me conheciam e ajudaram na minha libertação", afirmou ela, em seus breves comentários.

 

O advogado de Roxana afirmou à Reuters que a jornalista "aceitou que cometeu um erro e teve acesso a documentos que não deveria, mas não transferiu nenhuma informação confidencial". "Ela está bem. Ela pode deixar o país na próxima semana, mas não há certeza, já que ela tem algumas pendências para cuidar", disse seu advogado. "O que é importante é que ela não está enfrentando qualquer restrição legal para sua partida", acrescentou.

 

Roxana teria obtido acesso a um documento confidencial sobre a guerra dos EUA no Iraque enquanto trabalhavav como tradutora de um alto corpo clerical, ligado ao centro de pesquisa do escritório presidencial, o que foi usado contra ela no julgamento em que foi acusada de espionagem. O advogado afirmou que a jornalista trabalhou como tradutora por dois anos.

 

A Justiça iraniana libertou Roxana Saberi, presa desde janeiro sob acusações de trabalhar como espiã para os EUA. Roxana, que é de origem iraniana, teve sua sentença reduzida de 8 para 2 anos, mas já está livre para deixar o Irã. De acordo com o porta-voz do Judiciário iraniano, Ali Reza Jamshidi, a decisão da corte sobre o caso da jornalista foi um gesto de "misericórdia islâmica" porque Roxana colaborou com as autoridades e expressou arrependimento.

 

A libertação da jornalista é um importante passo no caminho para o restabelecimento das relações entre os EUA e o Irã. Washington já havia criticado Teerã pela prisão de Roxana e pedido por diversas vezes a retirada de acusações contra a jovem. Segundo analistas, a decisão também pode ajudar o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a ganhar alguns pontos políticos internamente a poucas semanas das eleições gerais de 12 de junho - nas quais ele tentará a reeleição.

 

O pai de Roxana, Reza Saberi, nasceu no Irã, mas vive há anos em Fargo, no Estado de Dakota do Norte, na companhia da mulher, Akiko, de descendência japonesa.

Roxana, que foi coroada Miss Dakota do Norte em 1997, vivia no Irã havia seis anos, onde trabalhava como jornalista freelancer para diversas organizações - como a BBC e a Fox News, por exemplo. Ela foi presa no fim de janeiro em Teerã e condenada em 13 de abril por espionagem. O Ministério de Relações Exteriores do Irã afirmou que ela estava trabalhando ilegalmente no país porque seu visto de jornalista havia vencido em 2006.

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