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Jornalista dos EUA acusada de espionagem deixa o Irã

Roxana Saberi ficou três meses detida; antes de voltar para os EUA, ela ficará alguns dias na Áustria

Agências internacionais,

15 de maio de 2009 | 06h42

A jornalista americana de origem iraniana Roxana Saberi, libertada recentemente após mais de três meses detida no Irã, desembarcou nesta sexta-feira, 15, em Viena, na Áustria. Acusada de espionar para os Estados Unidos, Saberi foi libertada esta semana depois de o Tribunal de Apelação revisar a condenação inicial de oito anos de prisão, após três meses de contradições judiciais e disputas políticas.

 

Após o desembarque na Áustria, onde a jornalista pretende se recuperar de todo o incidente, Roxana homenageou os que ofereceram apoio durante o período em que esteve detida. "Escutei que algumas pessoas, muitas pessoas, tiveram que suportar muitos problemas por minha causa", afirmou a repórter, que chegou a fazer uma greve de fome de duas semanas para protestar contra sua detenção. "Tanto jornalistas como não-jornalistas no mundo todo, segundo o que ouvi, me apoiaram e foi muito comovente saber disso".

 

Roxana ainda agradeceu ao embaixador austríaco no Irã, Michael Postl, por sua "valiosa ajuda" durante o período em que esteve detida. "Passarei alguns dias em Viena, porque é um lugar tranquilo", disse a jornalista, de 31 anos.

 

Segundo a emissora de TV pública austríaca ORF, Saberi deixou Teerã junto com seus pais e seu irmão sem informar qual seria o destino de seu voo, que aterrissou na capital austríaca pouco depois das 6 horas locais (1h de Brasília).

 

Seu pai tinha anunciado anteriormente que ela queria voltar o mais rápido possível aos Estados Unidos, mas que primeiro desejava passar alguns dias de tranquilidade com um amigo em Viena, pois precisa "refletir sobre tudo o que aconteceu".

 

Roxana, de 32 anos, vivia no Irã desde 20 03 e trabalhava como repórter independente para a National Public Radio e para a BBC. Ela foi detida por comprar uma garrafa de vinho - o que é ilegal no Irã -, mas, em seguida, também foi acusada de trabalhar sem credencial de imprensa. Por fim, foi acusada de espionagem.

Seu advogado, Saleh Nikbakht, deu detalhes sobre o caso dois dias depois de um tribunal de recursos reduzir sua sentença. Roxana teria copiado o relatório, preparado antes da invasão do Iraque (2003) por um órgão de pesquisas ligado à presidência iraniana, disse o advogado. Ele afirmou que a jornalista nunca usou as informações. "Ela havia obtido um relatório que, na época, o Centro para Pesquisas Estratégicas havia preparado sobre o futuro ataque da América ao Iraque", disse Nikbakht à Reuters, sem esclarecer como e quando a jornalista obteve o documento.

A libertação de Roxana removeu um obstáculo nos esforços do governo de Barack Obama para melhorar as relações com o Irã, após 30 anos de rompimento. Na segunda-feira, Obama elogiou o "gesto humanitário" de Teerã ao libertar a americana.

 

Autoridades dos EUA e analistas acreditam que a prisão de Roxana teve motivação política no momento em que o governo de Obama está estendendo a mão para o Irã após quase três décadas de hostilidade. Segundo alguns especialistas, o regime iraniano tentou usar a prisão de uma jornalista para ganhar margem de manobra nas negociações com os EUA. Os EUA já fizeram diversos gestos para o Irã: da mensagem de saudação de Ano Novo ao povo iraniano, gravada por Obama, ao anúncio feito pela Casa Branca de que participaria, junto com outras grandes potências mundiais, das negociações com Teerã sobre seu programa nuclear.

 

(Com The New York Times)

 

Matéria atualizada às 7h40.

 

 

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