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Jornalista dos EUA presa no Irã encerra greve de fome

Família afirma que Roxana encerrou protesto contra condenação por espionagem pelo seu estado de saúde

Efe e Associated Press,

06 de maio de 2009 | 08h54

A jornalista irano-americana Roxana Saberi, condenada pelo Irã a oito anos de prisão por espionagem para os Estados Unidos, decidiu encerrar a greve de fome que mantinha há mais de duas semanas, segundo afirmou sua família nesta quarta-feira, 6. O pai de Roxana, Reza Saberí, afirmou que a repórter abandonou o protesto na noite da última segunda-feira por razoes de saúde.

 

A apelação do caso acontecerá na próxima semana, segundo confirmou na terça-feira o porta-voz do Poder Judiciário iraniano, Ali Reza Jamshidi. O porta-voz judicial também negou as informações de que Roxana estaria doente e que teria iniciado uma greve de fome, como tinham declarado seu pai e seus advogados.

 

Apesar de as autoridades iranianas negarem que a jornalista tenha feito a greve de fome, diferentes fontes informaram no fim de semana que Roxana teria sido hospitalizada numa das alas médicas da prisão de Evin, em Teerã, por conta de seu precário estado de saúde.

 

A repórter foi condenada há duas semanas por um tribunal revolucionário de Teerã após um julgamento de um dia, a portas fechadas. Inicialmente, ela foi acusada de trabalhar sem as credenciais da imprensa, mas as autoridades fizeram depois acusações mais sérias, afirmando que ela passou dados de inteligência para os EUA.

 

O caso tem sido uma fonte de tensão entre Washington e o Irã. Os Estados Unidos descreveram as acusações contra Roxana como sem fundamento e pediram sua libertação. Aparentando querer diminuir as tensões, o presidente Mahmoud Ahmadinejad pediu às autoridades judiciais que se certifiquem que Roxana tenha acesso total à defesa durante a apelação. Funcionários iranianos reiteraram diversas vezes que pediram a revisão do caso. Segundo o pai da jornalista, o julgamento durou apenas cerca de 15 minutos.

 

Nascida nos EUA, de pai iraniano e mãe japonesa, Roxana chegou a Teerã há seis anos e desde então trabalhou para meios de comunicação britânicos e americanos de prestígio como a BBC e a Fox News. Atualmente, se encontrava no país aparentemente recolhendo informações para escrever um livro. O pai de Roxana, nascido no Irã, viajou de volta ao país para visitar a repórter e pressionar pela libertação. Ele disse, no último mês, que ela bebia apenas água com açúcar, recusando-se a comer em protesto por sua sentença de oito anos de prisão, por supostamente espionar para os EUA. Ela nasceu nos EUA e foi criada em Fargo, Dakota do Norte.

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