Jornalista preso por caso Sakineh faz suposta acusação a ativista

Homem identificado como repórter alemão culpa Mina Ahadi na TV estatal por tentar entrevistar filho de Sakineh

Reuters,

16 de novembro de 2010 | 00h09

TEERÃ- Um jornalista alemão preso no Irã enquanto tentava entrevistar o filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério, foi mostrado na TV estatal iraniana nesta segunda-feira, 15, afirmando que foi enganado por uma ativista iraniana.

 

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Ele é um dos dois alemães presos durante uma entrevista com o filho de Sakineh, iraniana cujo apedrejamento foi suspenso pelo regime do país após uma onda de comoção internacional pelo seu caso.

 

A TV iraniana mostrou um dos alemães sendo dublado pelo idioma Farsi. "Eu não sabia nada sobre esse caso. Mas Mina Ahadi sabia e como ela poderia se beneficiar pela propaganda com a minha prisão, ela me mandou para o Irã", diz o homem. "Eu certamente preencherei uma queixa contra ela quando retornar para a Alemanha".

 

Mina Ahadi é coordenadora do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, e foi reportada como quem traduzia a entrevista por telefone para os dois jornalistas alemães.

 

A Alemanha busca a libertação de seus dois cidadãos, os quais o Irã acusa de terem entrado no país com vistos de turistas e estarem trabalhando como repórteres ilegalmente. Seus casos estão sendo revisados pela Justiça iraniana.

 

A TV estatal do país mostrou o segundo jornalista dizendo concordar que cometeu um erro "porque eu não estava ciente do caso e fui enganado por Ahadi". Os dois trabalham para o jornal Bild am Sonntag.

 

Nesta segunda, uma mulher identificada como Sakineh também apareceu na TV estatal iraniana, e confessou ser "uma pecadora". A imagem de seu rosto estava distorcida e suas declarações em um dialeto turco também foram dubladas pelo farsi.

 

A TV estatal também transmitiu o que diz ser afirmações de dois homens identificados como o filho e o advogado de Sakineh. Eles também foram presos na entrevista, em outubro.

 

O filho nega relatos de que Sakineh foi torturada na prisão, dizendo que mentiu sob a influência do advogado de sua mãe, Houtan Kian.

 

"Infelizmente, eu ouvi ele (...). Tudo que eu disse para a mídia estrangeira é mentira", disse o jovem identificado como Sajjad Qaderzadeh.

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