Jovens são presas em Israel por rejeitar serviço militar

Três mulheres de 19 anos se recusam a servir nos territórios palestinos por serem contrárias à ocupação

BBC Brasil, BBC

23 de setembro de 2008 | 13h47

Três mulheres israelenses de 19 anos se recusaram a servir o Exército e foram presas. Omer Goldman, Miya Tamarin e Tamar Katz deviam se alistar nesta terça-feira, 23, para prestar o serviço militar obrigatório. Ao se apresentar, na data do alistamento, na base militar de Tel Hashomer, as jovens anunciaram que não pretendem servir pois são contra a ocupação dos territórios palestinos.   Em Israel, a lei obriga todos os israelenses a prestar serviço militar - as mulheres por dois anos e os homens por três. As jovens chegaram à base militar acompanhadas por cerca de cem manifestantes que levantaram cartazes contra a ocupação em frente à base militar.   "Não queremos participar da ocupação", "Basta de ocupação", diziam os cartazes. "Não pretendo ir para o Exército em hipótese alguma", disse Omer Goldman à BBC Brasil, "eu me sinto obrigada, moralmente, a recusar". "Viajei muitas vezes aos territórios ocupados, e vi, com meus próprios olhos, o que o Exército israelense faz lá, são coisas com as quais eu não posso colaborar", afirmou.   Gabriel Castellan, porta-voz do Exército israelense, disse à BBC Brasil que o número de jovens que se recusam a prestar o serviço militar obrigatório por razões políticas é pequeno, mas tem aumentado nos últimos dois anos. Em 2005 foram registrados 57 casos, e em 2007 o número chegou a 72.   O número de jovens que foram liberados do serviço militar também vem aumentando. De acordo com Gabriel Castellan, porta-voz do Exército israelense, no ano de 2003 a porcentagem de homens israelenses que não prestaram o serviço era de 22%, e entre as mulheres 35.6%. Em 2008, a porcentagem chegou a 27.7% entre os homens e 43.7% das mulheres.   O porta-voz disse à BBC Brasil que a principal razão para a liberação, tanto de homens, como de mulheres, do serviço militar é ligada a motivos de religião. Os homens que comprovam estudar em um seminário rabínico são liberados e as mulheres que declaram ser religiosas também obtêm a isenção do serviço militar. Outras razões para a liberação do serviço militar são problemas de saúde, antecedentes criminais e residência no exterior.   Além dos jovens que se negaram a prestar o serviço militar obrigatório, desde o inicio da segunda Intifada (levante palestino que começou em 2000), mais de 500 soldados e oficiais da reserva se recusaram a servir no Exército por razões políticas.   Omer Goldman não sabe quanto tempo ficará presa e admite que tem medo. "Sim, tenho medo. Outros jovens que recusaram já ficaram dois anos na prisão, espero que não fiquemos tanto tempo". "Por enquanto todos os meus planos para o futuro ficaram congelados, e não sei por quanto tempo".   Miya Tamarin é pacifista e tentou ser liberada do serviço militar por "razões de consciência". O Exército libera automaticamente jovens mulheres religiosas - normalmente ortodoxas ou ultra-ortodoxas - por razões de consciência, porém, rejeitou o pedido de Tamarin. "Há uma semana recebi a resposta negativa do Exército e decidi que minhas convicções pacifistas não me permitem participar de uma instituição que é toda baseada na violência", disse Tamarin. Segundo Tamar Katz, "as ações do Exército só vão gerar mais hostilidade e mais violência e não quero participar de uma organização que aponta armas contra civis de maneira indiscriminada".   As três jovens, como outros que se recusaram a prestar serviço militar, são acusadas de "traição" e "covardia", por muitos em Israel. Grande parte da população fica indignada com jovens que tentam "se esquivar" de prestar o serviço militar, considerado quase que sagrado em Israel. Porém, elas afirmam que a razão da recusa não é covardia e que não têm a intenção de se esquivar de suas responsabilidades como cidadãs israelenses.   "Acho que nosso ato de recusar é um ato de responsabilidade social", disse Omer Goldman, "espero que esse ato leve mais pessoas a questionarem a ocupação". "Desde pequena estive envolvida em ações voluntárias de responsabilidade social e minhas colegas também". "Durante o último ano todas nós participamos de projetos voluntários, eu trabalhei na cidade de Yavne, em um projeto de educação de crianças etíopes". "Essas acusações contra nós, de que ‘queremos tirar o corpo fora’ de nossas responsabilidades para com a sociedade israelense são absurdas", afirmou Goldman. "Para o bem da sociedade israelense, devemos nos recusar a participar da ocupação", concluiu.

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