Justiça abre inquérito contra premiê israelense por fraudes

Olmert, que pode perder o cargo pelo indiciamento , nega compra de imóvel abaixo do valor por favorecimento

Associated Press e Agência Estado,

24 de setembro de 2007 | 10h52

A procuradoria-geral israelense ordenou nesta segunda-feira, 24, que a polícia dê início a uma investigação criminal contra o primeiro-ministro do país, Ehud Olmert, por causa das suspeitas em torno da compra de um imóvel em Jerusalém, anunciou o Ministério da Justiça de Israel.   O tribunal de contas do país já havia investigado as denúncias segundo as quais Olmert teria comprado uma casa por preço muito abaixo do valor de mercado, levantando suspeitas de fraude e pagamento de subornos.   Olmert declarou inocência e insistiu que o preço por ele pago teria sido justo. "Estamos absolutamente convencidos da integridade da família Olmert na compra da casa", dizia uma declaração do governo.   O primeiro-ministro prometeu cooperar com os investigadores. Caso venha a ser indiciado, Olmert será obrigado a renunciar, mas acredita-se que o caminho até um eventualmente indiciamento será longo.   Em 2004, Olmert comprou uma casa construída pela empreiteira Alumot num bairro de alto padrão da cidade sagrada pelo equivalente a R$ 2,25 milhões, mais de R$ 600 mil abaixo do valor de mercado.   A investigação aberta também apurará se pessoas ligadas ao primeiro-ministro ajudaram a construtora Alumot a obter alvarás ilegais de obras dentro de Jerusalém, aumentando consideravelmente os lucros da empresa. Olmert foi prefeito de Jerusalém por dez anos.   Escândalos   A extensa carreira política de Olmert é marcada por uma série de denúncias de corrupção. Esta é a segunda investigação criminal iniciada contra Olmert desde maio do ano passado, quando que tornou-se primeiro-ministro de Israel. A investigação anterior baseou-se em denúncias segundo as quais Olmert, quando ministro das Finanças em 2005, teria tentado influenciar a venda do controle do Estado sobre o segundo maior banco do país, o Banco Leumi, em favor de duas pessoas próximas. Micha Lindenstrauss, juiz titular do tribunal de contas, também acusou Olmert de tentativa de tráfico de influência para beneficiar um amigo em 2001, quando era ministro do Comércio. Na ocasião, Lindenstrauss recomendou ao procurador-geral Meni Mazuz que abrisse uma investigação criminal. Também houve, no passado, suspeitas sobre outras três transações imobiliárias envolvendo Olmert, sendo duas referentes a imóveis em Jerusalém e uma em Tel-Aviv.

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