Justiça de Israel decide destino de palestina tetraplégica

Maria Aman, paralisada em ataque israelense em 2006, luta para continuar tratamento médico em Jerusalém

Guila Flint, BBC

30 de agosto de 2007 | 06h13

A menina palestina Maria Aman, paralisada do pescoço para baixo, completou nesta quinta-feira, 30, 6 anos. A comemoração do seu sétimo aniversário depende de uma decisão da Suprema Corte de Justiça de Israel. Segundo sua advogada, se a Corte aprovar a decisão do Ministério da Defesa de transferi-la para um hospital em Ramallah, "será como uma sentença de morte para Maria". Maria Aman ficou tetraplégica em conseqüencia de um ataque da Força Aérea israelense na Faixa de Gaza, em maio de 2006. Um míssil destinado a militantes do Jihad Islâmico atingiu o carro da família da menina, matando sua mãe, irmão e avó. Além da paralisia quase total, Maria ficou dependente de respiração artificial para o resto da vida e está sendo tratada no único hospital do Oriente Médio especializado em crianças nessas condições, o hospital Alyn, em Jerusalém. No entanto, o Ministerio da Defesa de Israel anunciou que "o tratamento de Maria foi concluído e ela deve ser transferida para o hospital Abu Raya, em Ramallah". Em uma carta enviada a Hamdi Aman, pai de Maria, o ministério se dispôs a providenciar o equipamento e o treinamento necessários para que o hospital palestino possa cuidar da criança. "Se o respirador pára de funcionar, Maria fica azul em 50 segundos", disse a israelense Dalia Beker à BBC Brasil. "O hospital de Ramallah não tem os meios nem o conhecimento para cuidar dela e não vamos permitir que Maria seja uma cobaia para experiências." Beker faz parte de um grupo de israelenses que ficaram comovidos com a tragédia da menina palestina e se mobilizaram para ajudá-la. "Criei um laço emocional muito profundo com Maria e não permitirei que ela seja transferida para Ramallah"."Foi um piloto israelense que destruiu a vida dela, e eu, que também sou israelense, tento de alguma maneira recompensar, mas sei que não existe compensação pela tragédia que ela passou." "O mínimo que o Estado de Israel deve fazer é permitir que ela continue vivendo, com seu pai, em Jerusalém, e que seja tratada no hospital Alyn, e de maneira nenhuma expulsá-la para Ramallah, lá ela vai morrer", disse Beker. De acordo com Beker, o governo israelense deve continuar arcando com todas as despesas do tratamento da menina, avaliadas em 30 mil shekels (cerca de R$ 15mil) por mês. Em conseqüência do tratamento que recebeu no hospital Alyn, a situação de Maria melhorou, e hoje ela é capaz de mover sua cadeira de rodas e operar um computador com o queixo. A advogada Adi Lustigman, que representa Maria perante a Suprema Corte, está otimista e acha que os juízes não poderão ficar insensíveis diante da tragédia da menina palestina. Lustigman está preparando um apelo à Corte, que será discutido no dia 25 de setembro. "Existem muitas crianças palestinas que foram feridas pelas operações militares de Israel, mas o caso de Maria é especial, pois ela é a única que depende totalmente de respiração artificial e seus ferimentos são os mais graves", afirmou a advogada. "É impensável que a Corte a expulse para Ramallah." Porém, o jornalista Gideon Levy, do diário Haaretz, acha pouco provável que a Suprema Corte conceda a Maria Aman e seu pai o direito de residência em Jerusalém. Segundo Levy, que foi o primeiro jornalista israelense a divulgar a história de Maria, "a Corte vai temer a criação de um precedente, pois existem centenas de civis palestinos que foram gravemente feridos pelo Exército israelense". "Tenho muito medo que esta história acabe muito mal".   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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