Justiça iraquiana recomenda julgamento da Blackwater

Investigadores afirmam que agentes particulares tinham intenção de matar e devem ser levados à justiça

Associated Press e Agência Estado,

08 de outubro de 2007 | 11h23

Investigadores iraquianos concluíram que o incidente em que civis iraquianos foram mortos por agentes da companhia de segurança privada americana Blackwater foi deliberado e recomendaram que os envolvidos sejam levados a julgamento. Eles ainda elevaram de 11 para 17 o número de iraquianos mortos em Bagdá no último dia 16, quando os vigias abriram fogo em uma praça.  Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, anunciou no domingo que os investigadores haviam concluído que 17 pessoas morreram e 23 ficaram feridas no incidente de 16 de setembro. A nova cifra representa seis mortos a mais do que o originalmente divulgado.  Os investigadores concluíram que o incidente, no qual sete carros foram incendiados ou destruídos, consiste em múltiplo homicídio doloso e recomendou que os envolvidos sejam levados à justiça. De acordo com as investigações, os agentes da Blackwater em nenhum momento foram atacados direta ou indiretamente enquanto protegiam um comboio diplomático americano naquele dia na Praça Nisoor. "Eles não foram atingidos nem mesmo por uma pedra", comentou Dabbagh. Existe, entretanto, um limbo jurídico quanto à possibilidade de julgamento. Ao contrário dos soldados, esses agentes não são obrigados a obedecer a um código de conduta militar, por exemplo. Além disso, uma lei imposta pela autoridade de ocupação americana antes de a soberania iraquiana ser restaurada garante imunidade às empresas de segurança privada que atuam no Iraque. Ao todo, dezenas de milhares de agentes de segurança privada estão espalhados pelo Iraque - muitos deles com armas automáticas, blindagem corporal, helicópteros e veículos à prova de ataque. Eles atuam com pouca ou nenhuma supervisão e são vistos como mercenários pelos iraquianos, descontentes com a forma como esses agentes se comportam. Muitos desses agentes já foram acusados de atirar indiscriminadamente contra soldados iraquianos e até mesmo militares americanos, assim como de matar civis iraquianos que se aproximaram demais de seus comboios. Até agora, porém, nenhum deles agentes foi acusado formalmente de crime.

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