Justiça israelense coloca Mordecai Vanunu em prisão domiciliar

Em 1986, Vanunu revelou a capacidade atômica secreta de Israel e entregou dados a jornal britânico

EFE,

29 de dezembro de 2009 | 13h17

Um tribunal ordenou a Mordechai Vanunu, o técnico nuclear que revelou à imprensa internacional o programa militar atômico israelense, que permaneça sob prisão domiciliar após quebrar o acordo de liberdade condicional e falar com estrangeiros.

 

A decisão foi tomada depois que a polícia interrogou Vanunu, após detê-lo ontem em um hotel de Jerusalém Oriental durante um encontro com vários estrangeiros.

 

Segundo o advogado Avigdor Feldman, defensor do técnico nuclear, a detenção ocorreu devido às relações sentimentais de seu cliente tem com uma norueguesa, que foi interrogada pela polícia e cuja identidade não foi revelada.

 

Desde sua libertação após 18 anos em prisão (parte deles incomunicáveis), Vanunu foi detido em diversas ocasiões por reunir-se com representantes da imprensa estrangeira.

 

Por esse motivo, Vanunu - que é proibido de deixar Israel - foi condenado em 2007 a seis meses de prisão, mas não foi obrigado a cumprir.

 

Em 1986, Vanunu revelou a capacidade atômica mantida em segredo por Israel e entregou ao jornal britânico The Sunday Times fotografias da central de Dimona, onde trabalhava.

 

Seduzido por "Cindy", uma agente dos serviços secretos israelenses no exterior (Mossad), foi aprisionado na Itália, julgado em Israel por alta traição e condenado a 18 anos de prisão.

 

Embora nenhum governo israelense tenha admitido ter armas atômicas, os analistas militares calculam que o país tenha entre 200 a 300 ogivas nucleares.

 

Em 1981, a imprensa estrangeira informou que Israel já era uma potência nuclear com um arsenal de 200 unidades, capacidade que tinha adquirido desde a década de 1950 com a ajuda da França e da Alemanha.

 

Vanunu, apresentado como candidato ao Prêmio Nobel nos últimos anos, advertiu ao comitê norueguês que entrega o prêmio que não deseja recebê-lo porque o presidente Shimon Peres já foi agraciado, "o homem que esteve por trás de toda a política atômica israelense".

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