Kadafi é excluído em plano para transição líbia, diz diplomata

Enviado da ONU irá propor cessar-fogo e criação de uma autoridade provisória mista

REUTERS

22 de julho de 2011 | 08h41

LONDRES - Um enviado especial da Organização das Nações Unidas vai propor um cessar-fogo na Líbia, a ser seguido pela criação imediata de uma autoridade provisória composta em partes iguais pelo governo e pelos rebeldes, mas excluindo Muamar Kadafi  e seus filhos, segundo um diplomata europeu de alto escalão.

 

Veja também:

especialLinha do Tempo: 40 anos da ditadura na Líbia

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

especialEspecial: Os quatro atos da crise na Líbia 

 

Essa autoridade provisória nomearia um presidente, controlaria a polícia, as Forças Armadas e os serviços de segurança, e supervisionaria um processo de reconciliação, levando à eleição para uma assembleia nacional constituinte, disse o diplomata, que pediu para que seu nome e sua localização não fossem divulgados.

A pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o senador jordaniano Abdul Elah al Khatib está buscando uma solução para a guerra civil líbia, que começou em fevereiro. Ele já se reuniu várias vezes com o governo e com os rebeldes do leste do país.

Khatib não quis revelar detalhes das suas propostas, mas disse à Reuters em Amã que "a ONU está exercendo seriíssimos esforços para criar um processo político que tenha dois pilares - um é um acordo para um cessar-fogo, e simultaneamente um acordo para estabelecer um mecanismo que gerencie o período de transição."

"Esperamos que a obtenção da aceitação das duas partes em torno dessa ideia desencadeie um processo político que no final, tomara, nos permita alcançar uma solução política para a crise", disse o enviado da ONU.

Na quinta-feira, Kadafi , que está há 41 anos no poder, rejeitou a hipótese de negociar com os rebeldes, que contam com apoio militar de governos ocidentais.

O diplomata europeu disse que, pela proposta de Khatib, Kadafi teria de renunciar, mas que isso seria parte do processo, e não uma pré-condição. Quando a autoridade provisória fosse criada e Kadafi deixasse de controlar as forças de segurança, os líbios de Trípoli não teriam mais medo dele, e a essa altura seu regime estaria na prática encerrado, argumentou o diplomata.

Ele acrescentou que Kadafi só aceitaria essa transição se tivesse garantias quanto ao seu futuro, então ele não seria imediatamente entregue ao Tribunal Penal Internacional, de Haia, que emitiu um mandado de prisão contra ele por crimes contra a humanidade.

Gaddafi e seus filhos ficariam excluídos da autoridade transitória, disse ainda o diplomata, pois os rebeldes jamais aceitariam a participação de membros da família Kadafi.

Tudo o que sabemos sobre:
LIBIAGADDDAFITRANSICAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.