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Kadafi recebe terrorista na Líbia e critica reação europeia

TV líbia mostra ditador recebendo em casa com um forte abraço Megrahi, que respondeu beijando sua mão

EFE,

22 de agosto de 2009 | 09h49

O ditador líbio, Muammar Kadafi, rejeitou as críticas europeias à recepção dada em Trípoli ao terrorista Abdelbaset Ali Mohammed Al-Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie e solto esta semana pela Escócia, informou neste sábado, 22, a agência oficial de notícias local "Jana".

 

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Kadafi, vestido com uma túnica negra, recebeu em casa com um forte abraço Megrahi, que respondeu beijando a mão do ditador, como mostrou a TV líbia. O líder líbio aproveitou a ocasião para expressar sua satisfação com a libertação do terrorista líbio, que sofre de um câncer terminal.

 

"Quero enviar uma mensagem a nossos amigos da Escócia (...), a quem felicito por sua coragem ao terem demonstrado a independência na tomada de decisões, apesar das pressões inaceitáveis e ilógicas enfrentadas", disse Kadafi.

 

O ditador também agradeceu ao chefe de Governo britânico, Gordon Brown, à rainha Elizabeth II, e ao príncipe Andrew, por também terem apoiado o Governo escocês "a assumir esta decisão histórica e atrevida".

 

"Este passo beneficia os laços entre Líbia e Reino Unido, e a amizade entre eu e eles, e se refletirá  ositivamente em todas as áreas de cooperação", ressaltou o líder.

 

Kadafi criticou a reação europeia à libertação de Meqrahi e a comparou com o caso das cinco enfermeiras búlgaras e do médico palestino que foram presos em 1998 e condenados à morte em 2004, após serem considerados culpados de infectar deliberadamente mais de 400 crianças líbias com o vírus da aids.

 

"A Líbia enfrentou sua responsabilidade e comutou a pena de morte para prisão perpétua à equipe de enfermeiras búlgaras, e respondeu ao pedido do meu amigo (o presidente francês, Nicolas) Sarkozy, e pela França aceitamos que os condenados por cometer assassinato em massa cumprissem a pena em seu país de origem", disse o ditador.

 

Kadafi lembrou, porém, que a equipe médica recebeu indulto antes mesmo de chegar ao aeroporto e que o presidente búlgaro recebeu seus compatriotas como heróis.

 

"Depois, infelizmente, o Parlamento Europeu recebeu essa equipe médica de pé e com aplausos porque eram heróis. Por que não ouvimos protestos contra a absolvição dessa equipe médica?. Por que não se disse que esse comportamento feria os sentimentos das família das vítimas líbias?", questionou Kadafi.

 

Para ele, a reação europeia era uma clara mostra de uma política de dois pesos e duas medidas, soberba e de menosprezo a outros povos e a seus sentimentos.

 

"O terrorismo tem suas causas nas políticas de dois pesos e duas medidas", concluiu o ditado líbio, citado pela agência "Jana".

 

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