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Karzai critica os EUA por causa de massacre no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, criticou na sexta-feira a suposta falta de cooperação dos EUA com a investigação sobre o massacre de 16 civis em aldeias afegãs nesta semana, e questionou a tese de que um sargento norte-americano teria agido solitariamente.

MIRWAIS HAROONI E ROB TAYLOR, REUTERS

16 de março de 2012 | 17h57

Antes da chacina, as relações entre EUA e Afeganistão já estavam abaladas por incidentes como a queima de exemplares do Alcorão em um quartel da Otan, no mês passado.

"Isso já está indo longe demais. Vocês já me ouviram antes. Isso é totalmente o fim da picada", disse Karzai a jornalistas no palácio presidencial.

Com aspecto cansado e eventualmente irritado, Karzai ouviu anciões das aldeias e parentes das vítimas do massacre no início de dois dias de audiências para discutir as mortes.

Alguns na reunião gritaram exigindo respostas, e todos disseram desejar a punição de todos os soldados eventualmente envolvidos.

"Não quero nenhuma indenização. Não quero dinheiro. Não quero uma viagem a Meca, não quero uma casa. Não quero nada. Mas o que eu absolutamente desejo é a punição dos norte-americanos", disse o irmão de uma das vítimas do massacre noturno.

Muitos afegãos, inclusive parlamentares, exigem que o sargento acusado pelo massacre seja julgado no Afeganistão de acordo com as leis locais. No entanto, os EUA já levaram o militar para o Kuweit, de onde estava sendo transferido para uma prisão de segurança máxima no Kansas.

"O chefe do Exército acaba de relatar que a equipe afegã de investigação não recebeu a cooperação que esperava dos Estados Unidos", disse Karzai. "Portanto, essas são todas perguntas que estamos fazendo, fazendo em alto e bom som."

Karzai pareceu partilhar da crença dos parentes das vítimas e de muitos outros afegãos de que um militar agindo sozinho não conseguiria ter matado tanta gente em locais tão distantes entre si.

"(Em uma casa), em quatro quartos pessoas foram mortas, mulheres e crianças foram mortas, e elas foram reunidas em um quarto e então incendiadas. Isso um homem não consegue fazer", afirmou o presidente.

Tentando aplacar a fúria do líder afegão, o presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou para Karzai reafirmando os planos de retirar as forças de combate dos EUA até o final de 2014, transferindo gradualmente as atribuições de segurança às forças afegãs.

Na quinta-feira, Karzai defendeu que a transferência do controle seja concluída até 2013, um ano antes do prazo. Apesar disso, um porta-voz da Casa Branca disse que a conversa mostrou grande convergência entre os dois presidentes.

Foi o segundo telefonema de Obama a Karzai nesta semana, algo raro para um presidente que em vários momentos se mostrou distante do colega afegão.

(Reportagem adicional de Matt Spetalnick em Washington)

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