Karzai diz que Taleban não conseguirá arruinar eleição

'Espero que amanhã nossos compatriotas votem pela estabilidade do país', disse o presidente do Afeganistão

HAMID SHALIZI, REUTERS

19 de agosto de 2009 | 16h34

Os combatentes do Taleban não vão arruinar a eleição presidencial no Afeganistão, disse o presidente Hamid Karzai horas antes do início da votação, depois de os combatentes entrarem em confronto com a polícia no centro de Cabul e ameaçarem bloquear as estradas do país.

 

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"Espero que amanhã nossos compatriotas, milhões deles, venham e votem pela estabilidade do país, para a paz do país e para o progresso do país", disse Karzai na noite de quarta-feira, após uma pequena cerimônia para marcar o feriado nacional do Dia da Independência.  "Os inimigos farão o máximo que puderem, mas não vai adiantar."

Pela manhã, na quarta-feira, homens armados invadiram o prédio de um banco no centro de Cabul e travaram uma batalha com a polícia durante horas, no que o Taleban disse ter sido um dos vários ataques planejados para a capital.

A ousada ação matutina foi o terceiro grande ataque em Cabul em cinco dias, interrompendo a calma numa cidade que permaneceu segura durante meses, mas que agora está sob tensão e tem postos de fiscalização.

As pesquisas indicam que Karzai lidera as preferências, mas não deve conseguir por pouco a maioria necessária para evitar um segundo turno em outubro. Seu principal concorrente, o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah, fez uma campanha mais forte que a prevista.

A violência pode aumentar a chance de um segundo turno ao diminuir o comparecimento às urnas nas regiões do sul, onde Karzai tem sua base - ou mesmo colocar em risco a legitimidade de toda a eleição.

Na província de Kandahar - terra de Karzai e berço do Taleban -, dois funcionários eleitorais morreram com a explosão de uma bomba, informou uma autoridade eleitoral.

Temendo outros episódios de violência relacionados à eleição, autoridades da cidade de Kandahar afirmaram que fechariam as estradas para a eleição de quinta-feira, permitindo apenas que trabalhadores e observadores da eleição, veículos transportando eleitores e a mídia trafegassem livremente.

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que o governo suspenda um decreto ordenando a interrupção da cobertura da imprensa estrangeira e doméstica de casos de violência durante as eleições de quinta-feira. O governo diz ter ordenado a restrição para que os afegãos não deixem de votar por medo.

Em um comunicado publicado no site do Taleban (www.alemara.org), o grupo islâmico disse que 20 homens-bomba se infiltraram na capital e preparam ataques para impedir a eleição. Outro comunicado afirmou que os militantes estão bloqueando estradas ao redor do país. "Os mujahideen não terão responsabilidade por quem quer que seja ferido", afirmou.

O porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, disse que cinco homens armados, alguns vestindo roupas com bombas, executaram o ataque de quarta-feira em Cabul, seguindo o padrão de ataques recentes similares em cidades do sul.

A polícia disse que três combatentes participaram do ataque. As forças de segurança levaram os jornalistas a uma área próxima e lhes mostraram os corpos crivados de balas dos três combatentes mortos durante o confronto.

A ação aconteceu um dia depois de um homem-bomba detonar um carro, matando oito pessoas na capital, no segundo ataque do tipo em quatro dias.

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