Karzai toma posse em novo mandato e promete combate à corrupção

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, iniciou na quinta-feira seu novo mandato prometendo combate à corrupção e empenho para que as forças locais assumam a segurança do país dentro de cinco anos.

YARA BAYOUMY E HAMID SHALIZI, REUTERS

19 Novembro 2009 | 11h20

Karzai, de 51 anos, também convocou uma "loya jirga" (assembleia tradicional), que pela Constituição afegã está acima de qualquer poder, inclusive da Presidência.

Ele inicia o segundo mandato num momento em que a milícia Taliban recrudesce sua insurgência e os EUA discutem uma nova estratégia para a guerra no Afeganistão, iniciada há oito anos.

Sua reeleição foi marcada por fraudes generalizadas, o que, junto com as queixas de corrupção e incompetência no governo, abalam sua legitimidade.

"Estamos determinados a que, dentro dos próximos cinco anos, as forças afegãs sejam capazes de assumir a liderança no sentido de garantir a estabilidade e a segurança em todo o país", disse Karzai.

Segundo ele, dentro de três anos as forças locais já devem ser capazes de assumir a responsabilidade por áreas mais instáveis. Atualmente, essa tarefa cabe ao contingente estrangeiro que totaliza quase 110 mil soldados, sendo 68 mil norte-americanos, dos quais mais de metade chegaram neste ano.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, que foi à cerimônia de posse, criticou Karzai pela falta de empenho contra a corrupção --apesar de nesta semana o governo ter anunciado a criação de um órgão especial para combater o problema.

"Eles fizeram algum trabalho a respeito, mas, na nossa opinião, nem de longe suficiente para demonstrar a seriedade de propósito para lidar com a corrupção", disse ela a jornalistas na quarta-feira, ainda a caminho de Cabul.

Hillary disse que Washington apoiará o novo governo, mas espera resultados sérios na construção de um governo "responsável e transparente".

Karzai afirmou que a corrupção é uma "questão perigosíssima", e prometeu apontar ministros competentes e profissionais.

O envio ou não de até 40 mil soldados adicionais dos EUA depende da confiança do governo de Barack Obama nas reformas de Karzai. Na quarta-feira, o presidente norte-americano disse que buscará encerrar o conflito ainda durante seu mandato.

(Reportagem adicional de Jonathon Burch, Peter Graff e Yousuf Azimy)

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