Khadaffi volta à Europa e critica 'ditadura' na ONU

O líder líbio, Muammar Khadaffi, dissena sexta-feira, durante sua primeira visita à Europa apósdécadas de ostracismo, que a "ditadura" do Conselho deSegurança da Organização das Nações Unidas (ONU) provocaterrorismo e tensões mundiais. Em discurso na Universidade de Lisboa, em sua primeiravisita oficial a Portugal, Khadaffi também lamentou o fato deque alguns poucos países no mundo sejam autorizados a teremarmas nucleares. Foi um discurso duro por parte do exótico líder, chamadocerta vez por Ronald Reagan de "cachorro louco do OrienteMédio". Suas relações com o Ocidente melhoraram rapidamente nosúltimos anos, depois de ele abandonar o apoio ao terrorismo e odesenvolvimento de armas de destruição em massa e de indenizarvítimas de atentados contra aviões dos EUA e da França.Atualmente, a Líbia se abre a investimentos estrangeiros nopetróleo e na infra-estrutura. Khadaffi está em Portugal para participar de uma cúpulaUnião Européia/União Africana, no fim de semana. Ele também iráa França e Espanha. Escoltado por musculosas mulheres com quepes e fardascáqui, Khadaffi criticou a atual estrutura das Nações Unidas,onde cinco países -- Estados Unidos, Grã-Bretanha, França,Rússia e China -- têm poder de veto. Ele disse que a Assembléia Geral, onde todos os países daONU estão representados, deveria ser o órgão executivo daentidade. "Por que ficam pedindo democracia nos países, se háuma ditadura na ONU e não podemos estabelecer a democracia noParlamento mundial?", afirmou ele a acadêmicos e diplomatas. Usando uma sóbria roupa preta, Khadaffi culpou essadistribuição distorcida dos poderes globais por fomentartensões e o terrorismo, como o "assustador" ataque de 11 desetembro de 2001 contra os EUA. "Foi um ato de loucura, mas quem o cometeu não eram loucos.Ele foi cometido tão perfeitamente que abalou até os EstadosUnidos", disse o líder líbio. Numa aparente recriminação da invasão norte-americana noIraque e das medidas extraordinárias de Washington contra oterrorismo, Khadaffi disse que as respostas militares e aperseguição jurídica não bastam para lidar contra o terror.

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