Khamenei diz que resistência terá 'resposta severa' no Irã

Segundo Aiatolá, o 'sistema será forçado a se opor' a quem 'levantar a espada' contra o governo

Reuters e Associated Press,

11 de setembro de 2009 | 11h02

O aiatolá Ali Khamenei, a maior autoridade do Irã, alertou nesta sexta-feira, 111, que qualquer indivíduo que lute contra a República Islâmica terá uma "resposta severa", numa aparente referência aos protestos de rua que eclodiram depois da polêmica eleição de junho.

 

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"Resistir ao sistema e levantar a espada contra o sistema será acompanhado de severa resposta", afirmou o supremo líder aiatolá Ali Khamenei em sermão transmitido ao vivo pela televisão estatal. "Se alguém se voltar contra as bases do sistema islâmico e violar a segurança do povo, o sistema é forçado a se opor", completou.

 

Foi a primeira vez que Khamenei conduziu as orações de sexta-feira em Teerã desde a que realizou na semana após as eleições de junho, quando apoiou a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, culpou a oposição por qualquer derramamento de sangue e acusou as potências ocidentais de interferir nas relações domésticas do Irã.

 

Programa nuclear

 

No documento encaminhado na quarta-feira, 9, pelo Irã para as seis potências que pressionam o país islâmico para congelar seu programa nuclear - Alemanha, EUA, China, Rússia, França e Reino Unido - Teerã se diz pronta para iniciar "negociações profundas, integrantes e construtivas", embora não apresente nenhum detalhe sobre a finalidade de seu programa de enriquecimento de urânio.

 

A resolução iraniana foi publicada pelo grupo ProPublica, com sede em Nova York, nos EUA. O grupo não mencionou como obteve o documento, mas um diplomata próximo das autoridades do programa nuclear do Irã afirmou que o documento, publicado no site da organização, era verdadeiro.

 

O governo do Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos de busca somente a geração de energia elétrica. Os EUA acreditam que o objetivo do enriquecimento de urânio seja a fabricação de armas nucleares. Autoridades americanas afirmaram que as propostas apresentadas não satisfazem os governos dos países que pedem o fim do programa nuclear.

 

Na semana passada, Ahmadinejad afirmou que o Irã estava aberto e discutiria qualquer assunto com as potências mundiais, não abriria mão de seu programa nuclear. Os EUA deram um prazo até o fim de setembro para que o Irã aceite negociar seus direitos nucleares e ofereceu incentivos econômicos para que a nação islâmica voltasse à mesa de conversas, mas do contrário sofreria sanções mais severas.

 

Desde de 2006, o Conselho de Segurança impõe sanções ao Irã por ignorar os pedidos de paralisação do programa. O governo de Ahmadinejad, entretanto, afirma não temer a repressão internacional.

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