Khamenei manda desativar prisão onde há reformistas do Irã

Libertados 140 detidos durante protestos contra resultados das eleições; 150 permanecem presos

28 de julho de 2009 | 08h55

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, determinou a desativação do centro de detenção Kahrizak, onde supostamente estão presos alguns militantes reformistas. A ordem do religioso é um movimento na tentativa de acalmar o crescente descontentamento entre parceiros conservadores sobre a escolha do vice-presidente do ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

 

O parlamentar Kazem Jalali, que preside a comissão que investiga as prisões ocorridas após a eleição, disse à agência semioficial de notícias Mehr que o local será fechado porque "carecia das condições necessárias para preservar os direitos dos detentos". Sites reformistas dizem que alguns presos envolvidos nos protestos posteriores à eleição de 12 de junho estão em Kahrizak.

 

As acusações de fraude no pleito que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad geraram a maior crise interna no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo profundas divisões entre a elite governante. Entidades de direitos humanos dizem que influentes políticos, jornalistas, ativistas e advogados da ala reformista foram detidos desde a eleição. A imprensa local noticiou a morte de vários manifestantes neste período.

 

Jalali disse que 140 detentos foram liberados da prisão de Evin depois que membros da comissão parlamentar que investiga as prisões visitaram o local nesta terça-feira. "As pessoas com acusações menores foram libertadas sob fiança", afirmou. Segundo ele, 150 pessoas envolvidas nos protestos pós-eleitorais e outras 50, incluindo ativistas políticos, membros de grupos antirrevolucionários e alguns estrangeiros permanecem detidos. Ainda não está claro que os presos

 

Vários políticos reformistas no Irã vêm pedindo a libertação dos detidos. O ex-presidente iraniano, o aiatolá Ali Hashemi Rafsanjani, falou durante um sermão na sexta-feira em Teerã sobre a necessidade de devolver a confiança ao povo, deteriorada durante e depois das eleições, que teria sido fraudada pelo regime. Rafsanjani também pediu a libertação de todos os manifestantes presos durante os protestos e a indenização dos afetados como uma solução para a "crise" no Irã.

 

O chefe do Judiciário do Irã, o aiatolá Mahmoud Hashemi Shahroudi, apontado como o possível sucessor do líder supremo Ali Khamenei - também ordenou na segunda-feira aos responsáveis que investiguem as denúncias de que pessoas inocentes foram maltratadas ou agredidas durante os protestos pós-eleitorais ou na prisão.

 

Vários líderes iranianos também pediram uma maior proteção dos detidos, depois que pelo menos três deles morreram na prisão. Os pedidos refletem a preocupação, mesmo entre a elite que governa o Irã, de que alguns dos presos estejam sendo torturados por policiais e grupos que agem sob a autoridade da Guarda Revolucionária, que tem assumido papel cada vez maior desde que os protestos foram reprimidos. A Guarda Revolucionária, poderosa força militar que também controla a milícia basij, assumiu a segurança de Teerã após as eleições. Políticos dizem acreditar que a o grupo também assumiu a iniciativa de deter os manifestantes.

 

Os conservadores rejeitaram a escolha de de Esfandiar Rahim Mashaei, ex-ministro da Cultura, para o cargo de principal vice-presidente, por ele ter declarado, no ano passado, que os iranianos eram "amigos de todos os povos do mundo - mesmo dos israelenses". Pressionado desde o dia 20, Ahmadinejad destituiu Mashaei na sexta-feira, depois que o líder supremo, Ali Khamenei, ordenou sua demissão.

 

A destituição de Mohseni-Ejei soa como bastante simbólica, ocorrendo uma semana antes da data em que Ahmadinejad será empossado para seu segundo mandato, quando deve apresentar um novo gabinete para aprovação do Parlamento. Analistas dizem que o presidente quer mostrar firmeza política em meio às acusações de que as eleições foram fraudadas. Os conservadores ficaram particularmente descontentes pelo fato de Ahmadinejad ter demorado a acatar a ordem de Khamenei para demitir Mashaei. Depois da sua saída, na sexta-feira, o presidente o nomeou chefe de gabinete, um gesto que seguramente agitará mais a ira dos linhas-duras.

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