Khatami anuncia oficialmente retirada das eleições no Irã

Desistência tenta evitar dispersão do voto entre progressistas; ele foi presidente entre 1997 e 2005

Efe,

17 de março de 2009 | 06h14

O ex-presidente iraniano Mohamad Khatami apresentou de forma oficial sua desistência como candidato nas eleições presidenciais do próximo dia 12 de junho, com o objetivo de evitar a dispersão do voto. Em comunicado reproduzido nesta terça-feira, 17, pela imprensa em Teerã, o ex-presidente confirma sua "retirada da corrida eleitoral" e alega como principal motivo "seu desejo de evitar que o voto se divida" entre os progressistas.

 

Khatami, presidente entre 1997 e 2005, havia anunciado em fevereiro seu desejo de concorrer à Presidência, irritado com as reservas de seu colega de corrente e ex-primeiro-ministro do país Mir Hussein Moussavi. O clérigo iraniano insistia que Moussavi era o candidato ideal e mostrou sua intenção de apoiar sua candidatura e seu possível governo.

 

Na semana passada, o ex-primeiro-ministro expôs finalmente suas dúvidas e expressou seu desejo de aspirar à Presidência, o que aumentou rumores sobre uma possível retirada de Khatami. Seus assessores já haviam adiantado na segunda-feira a notícia e indicaram que o ex-presidente concederia seu apoio a outro candidato. No entanto, Khatami evitou revelar quem apoiaria e se limitou a ressaltar que a retirada não representa o abandono completo da corrida eleitoral. "Seguirei muito presente e não me distanciarei das minhas responsabilidades", afirma no comunicado.

 

Embora a classe política insinue que o ex-presidente dará de novo seu apoio a Moussavi, seus colaboradores mais próximos insistem que a conjuntura agora é distinta. "A situação mudou", explicou à Agência Efe, sem mais detalhes, o chefe do escritório político de Khatami, Ali Abtahí.

 

A saída do ex-presidente deixa agora só dois candidatos à chefia de Estado no grupo reformista: o próprio Moussavi e o ex-presidente do Parlamento iraniano Mehdi Karrubi, que nas eleições de 2005 já conseguiu cerca de cinco milhões de votos. A data limite para a apresentação de candidaturas, que devem ser depois aprovadas pelo poderoso Conselho dos Guardiães, foi fixada em 8 de maio.

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