Khatami e Moussavi devem participar de manifestação na sexta

Data será marcada pelas comemorações do 'Dia de Jerusalém' e deve receber protestos contra Ahmadinejad

Efe,

16 de setembro de 2009 | 12h45

O líder da oposição reformista no Irã, Mir Hussein Moussavi, e o ex-presidente Mohammad Khatami devem participar de manifestações contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que ocorrerão na sexta-feira, 18, quando se comemora do "Dia de Jerusalém", informou nesta quarta-feira, 16, o diário Etemad.

 

Segundo a publicação, como ocorreu em anos anteriores, a mobilização é uma herança do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhola Khomeini, para protestar contra a ocupação dos territórios palestinos e os crimes do regime sionistas. "O dia de Jerusalém", ou "dia de Al Quds", foi institucionalizado por Khomeini com o objetivo declarado de defender os direitos do povo palestino e empreender uma política antiisraelense.

 

Todos os anos, a data reúne milhões de iranianos em manifestações pelas ruas da cidade. Neste ano, as autoridades montaram um esquema especial para evitar que a data seja aproveitada pela oposição reformista e dê margem para uma nova onda de protestos contra a reeleição do presidente iraniano, considerada fraudulenta.

 

Além disso, a habitual participação do ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanyaní no sermão foi vetada, por conta das críticas à atuação de Ahmadinejad. Em seu lugar subirá ao púlpito o sacerdote ultraconservador Ahmad Khatami, membro do Conselho de Guardiães e homem próximo ao líder supremo da Revolução iraniana, aiatolá Ali Khamenei, que respaldou a polêmica reeleição.

 

Em comunicado divulgado nesta quarta em Teerã, o escritório encarregado de organizar o sermão Jutba na capital anunciou que o discurso inicial será feito pelo próprio Ahmadinejad, que subirá ao púlpito pela segunda vez nas últimas três semanas.

 

A última vez em que Rafsanyaní liderou a oração da sexta-feira foi em 17 de julho, quando ocorreu a libertação de todos os detidos nos protestos posteriores as eleições. Cerca de 4 mil pessoas foram detidas durante a violenta repressão da revolta, que estremeceu a sociedade iraniana e a cúpula do regime. A oposição reformista contabiliza 72 mortos e denuncia torturas e violações nas prisões.

 

Prisão

 

Três dos netos do aiatolá dissidente Hossein Mortazeri e vários filhos de destacados clérigos da cidade santa xiita de Qom foram detidos após participar de uma concentração religiosa, segundo a imprensa iraniana.

 

Segundo Ahmad Montazeri, filho do aiatolá dissidente, seus três filhos foram detidos na segunda-feira passada pela tarde por ordem do tribunal especial diante da porta de sua própria casa. "Os agentes disseram que a detenção se deve à participação dos meus filhos em uma concentração diante da casa de grande aiatolá Youssef Sanei", um dos clérigos mais importantes do Irã, que critica com dureza ao atual Governo, explicou. "As autoridades também detiveram a várias outras pessoas, entre elas filhos de destacados clérigos como o aiatolá Hossein Moussavi Tabrizi", acrescentou.

 

Ahmad Montazeri, que cita o diário Armam, diz que todos eles tinham se concentrado frente à casa do aiatolá Sanei, em Qom, para participar da comemoração da morte há quase 1.400 anos do ímã Ali, fundador do xiismo.

 

O grande aiatolá Hussein Mortazeri foi designado sucessor do aiatolá Khomeini, mas foi afastado do cargo pelo próprio líder iraniano devido a desacordos políticos. Desde então, vive sob prisão domiciliar em uma população próxima à cidade de Isfahan, no centro do país.

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