Lei nuclear do Irã pode ter consequências, diz chefe nuclear do país

O Irã não terá escolha a não ser acelerar seu enriquecimento de urânio caso uma lei que agora transita pelo parlamento seja aprovada, apesar de não ter atualmente necessidade de urânio tão enriquecido, disse o chefe nuclear do país neste sábado.

Reuters

11 de janeiro de 2014 | 14h58

A lei recebeu declarações de apoio de ao menos 218 dos 290 membros do parlamento e, caso passe, pode ameaçar o progresso em direção a uma solução do longo impasse iraniano com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear, sobre o qual foi aprovado um importante acordo interino em novembro.

O parlamento é muito mais de direita sobre a questão nuclear do que o novo presidente iraniano, Hassan Rouhani, embora alguns vejam a lei apresentada no mês passado como uma resposta a uma lei proposta por conservadores no Senado dos Estados Unidos que pode impôr novas sanções sobre o Irã.

O Irã tem estoques de urânio enriquecido à pureza de 5 por cento, o suficiente para usinas de energia nuclear, e 20 por cento, que causam muita preocupação às grandes potências por ser, de um ponto de vista técnico, relativamente fácil de ser enriquecido ao grau de pureza necessário para armas nucleares.

A lei prevê o enriquecimento a 60 por cento, o suficiente para uso nos reatores de submarinos nucleares. O Irã diz ter planos para construir um submarino do tipo, mas o centro de estudos GlobalSecurity.org diz que seria necessário um grande salto na capacidade manufatureira do Irã para isso.

Salehi disse em uma entrevista à rede iraniana Jaam-e-Jam que o Irã não precisa atualmente de urânio enriquecido a este grau, segundo a agência estatal de notícias IRNA.

Ele acrescentou, porém: "Se os membros do parlamento veem que é do interesse do país que o enriquecimento a 60 pode ser útil, e eles tornem este desejo em lei, então não teremos escolha a não ser obedecer".

A agência de notícia semi-oficial Fars News disse que a lei deve ser discutida na semana que vem pelos legisladores.

(Por Babak Dehghanpisheh)

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