Líbano adia pela sétima vez a escolha do presidente

Aprovação de militar para cargo deve acontecer na terça ;Beirute segue sem chefe de Estado desde novembro

Agências internacionais,

07 de dezembro de 2007 | 11h20

O porta-voz da Presidência do Parlamento libanês, Mohammed Balut, anunciou nesta sexta-feira, 7,que a sessão para escolha do futuro presidente da República foi adiada para a próxima terça-feira. Esta é a sétima vez que a votação é prorrogada e o país segue sem chefe de Estado desde o dia 24 de novembro.  A sessão desta sexta definiria uma emenda na Constituição para que o chefe das Forças Armadas do Líbano, Michel Suleiman, pudesse assumir a Presidência. A transferência da sessão para o dia 11 de dezembro mostra que os dois lados acreditam estar perto de firmar um acordo amplo de compartilhamento de poder capaz de garantir o quorum necessário de dois terços para eleger Suleiman.  As negociações diretas entre a maioria governista, contrária à Síria, e a oposição liderada pelo Hezbollah - intermediadas pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, nesta semana - não conseguiram chegar a um acordo sobre como reformar a Constituição para permitir a eleição de Suleiman. Michel Aoun, líder da oposição cristã e que também fez algumas exigências, ainda não consentiu com o novo plano. A candidatura de Suleiman soou com força na última semana e já foi apoiada oficialmente pela maioria parlamentar anti-Síria. No entanto, sua indicação enfrenta o empecilho da necessidade de reformar a Constituição para que o chefe de Estado-Maior possa chegar à Presidência. A Constituição estabelece em um de seus artigos que, para que um alto funcionário da República possa ocupar outro posto de responsabilidade, é necessário o tempo de dois anos entre a renúncia ao primeiro cargo e a aceitação do segundo. Suleiman, de 59 anos, surgiu como nome de consenso depois de Hariri e seus aliados terem aberto mão da exigência de eleger um candidato claramente contrário à influência síria sobre o Líbano. O comandante das Forças Armadas, que possui boas relações com o Hezbollah, foi nomeado para esse cargo em 1998, quando a Síria controlava o Líbano.  A Presidência libanesa, reservada a um cristão maronita segundo prevê o sistema de divisão de poder vigente no país, permanece vaga desde que o presidente pró-Síria Emile Lahoud chegou ao fim de seu mandato, no dia 23 de novembro. O agravamento da crise política no Líbano provocou temores de que o país possa mergulhar na violência. O  primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, enviou tropas às ruas para garantir a segurança e tentar controlar a instabilidade e diminuir o medo crescente de confrontos entre facções políticas rivais. Nas cidades, carros civis convivem com veículos militares que patrulham um país com a Presidência vaga. Segundo a BBC, o premiê passou a desempenhar os poderes executivos depois que o presidente Émile Lahoud deixou o cargo no dia 24 de novembro, sem nomear substituto. Crise   O vácuo de poder no Líbano é apenas mais um capítulo de uma longa série de eventos que começou com a guerra entre o Hezbollah e Israel, em 2006. Após o conflito, de 34 dias, que matou mais de 1,2 mil libaneses (a maioria civis) e 157 israelenses (a maioria militares).  Depois da guerra, a oposição libanesa pró-Síria, liderada pelo Hezbollah, exigiu a dissolução do governo de Siniora e a formação de outro de unidade nacional. O bloco governista, anti-Síria e apoiado pelo Ocidente, negou qualquer negociação.  Desde dezembro do ano passado, militantes oposicionistas acampam ao redor do prédio do governo para exigir a renúncia de Siniora. Isso levou a um breve confronto entre militantes dos dois lados em janeiro.  Em maio a situação se agravou, quando o Exército libanês envolveu-se em conflitos com militantes radicais no norte do país, no campo de refugiados palestinos de Nahr Al-Bared. Mais de 400 pessoas morreram durante os cerca de três meses de confrontos.

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçõesLíbano

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.