Líbano bombardeia campo de refugiados palestinos

Tropas negam que bombardeio seja ´assalto final´; conflito já dura dois meses

Agências internacionais

12 Julho 2007 | 10h30

Tropas libanesas bombardearam nesta quinta-feira, 12, o campo de refugiados palestinos de Nahr al-Bared, no norte do Líbano, para combater militantes do grupo islâmico Fatah al-Islam. Militantes lançaram morteiros no campo e o Exército respondeu com artilharia. Pelo menos dois soldados libaneses morreram e vários ficaram feridos ao serem baleados por franco-atiradores nos arredores do campo, segundo fontes militares e humanitárias. Ainda não há confirmação do número de feridos. O Exército negou que o bombardeio faça parte de um assalto final ao campo de refugiados, segundo informa a BBC nesta quinta. O Exército afirma que se trata apenas de uma "operação contínua". A ofensiva foi lançada no final da tarde da última quarta, depois que dois soldados libaneses foram mortos por atiradores em uma emboscada na periferia do campo. Antes da ação, cerca de 160 civis palestinos foram retirados do campo de refugiados. O Exército libanês está bombardeando o campo, sem interrupções. Ainda há combatentes radicais sunitas do Fatah al-Islam entrincheirados no local. O grupo, que têm afinidade ideológica com a rede extremista Al-Qaeda, vêm cercando o campo desde o final de maio. Em sete semanas de conflito, pelo menos 88 soldados, 60 militantes islâmicos e 40 civis morreram. A violência é o pior conflito interno desde o fim da guerra civil no país, em 1990. Praticamente todos os moradores do campo, que chegou a ter 30 mil habitantes, fugiram. Funcionários de ajuda humanitária temem por 45 crianças e 20 mulheres, parentes dos combatentes do Fatah al-Islam, que continuam em Nahr al-Bared. "Ainda há crianças e mulheres. Estamos à espera de poder retirá-los do local", explicou Virginia de la Guardia, delegada do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O bombardeio ocorre no momento em que o país lembra um ano da guerra em que Israel combateu outro grupo islâmico que tem forte influência em partes do Líbano - o Hezbollah. Em discurso por ocasião do aniversário, o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, pediu ao Exército que "ponha um ponto final" no conflito do campo de refugiados de Nahr al-Bared. As forças armadas pediram em várias ocasiões aos combatentes de Fatah al-Islam que se rendam, mas estes se negam a entregar as armas e dão continuidade à batalha. Espera-se que as tropas lancem em breve a invasão final contra Nahr al-Bared, assim que todos os civis tenham sido evacuados. Cerca de 200 deles ainda estão no campo, segundo a facção palestina Fatah.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.