Líbano deve cancelar medidas anti-Hezbollah

O governo do Líbano, aliado dos EUA,deve cancelar nesta quarta-feira as medidas adotadas contra oHezbollah, que foram responsáveis por detonar um conflitodurante o qual o grupo aliado do Irã e da Síria assumiu ocontrole de regiões de Beirute, disseram políticos. "Pode-se dizer que isso já foi resolvido, mas ainda estamosesperando pela reunião de gabinete", afirmou um político. Oprimeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, deve comandar umencontro com seus ministros nesta tarde. Suspender um bloqueio à rede de telecomunicações doHezbollah e readmitir o chefe da segurança no aeroporto deBeirute, uma figura próxima do grupo xiita, estão entre asexigências do Hezbollah para cancelar o bloqueio nas vias deacesso ao aeroporto e interromper sua campanha de desobediênciacivil. Esses também poderiam significar os primeiros passos rumo auma melhora no impasse mais amplo, iniciado 18 meses atrás,entre o governo anti-Síria e as forças da oposição aliadas dossírios. Essa crise é responsável entre outras coisas porimpedir a eleição de um presidente no Líbano, cargo vago desdenovembro. Ao menos 81 pessoas foram mortas desde que o conflitoiniciou-se, no dia 7 de maio, após o governo ter adotado asmedidas contrárias ao Hezbollah. Esse foi o pior surto deviolência interna do país desde a guerra civil que durou de1975 a 1990. Na quarta-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush,acusou o Irã de usar o Hezbollah para desestabilizar o Líbano.Em Jerusalém, Bush afirmou: "Trata-se de um esforço dosiranianos para desestabilizar a jovem democracia libanesa." Odirigente prometeu que seu governo continuaria apoiando oLíbano. Horas antes, Siniora reuniu-se com uma missão diplomáticada Liga Árabe que tenta mediar uma solução para o conflito. A delegação, da qual participam oito chanceleres de paísesárabes, é liderada pelo primeiro-ministro do Catar, xeiqueHamad bin Jassim bin Jabr al-Thani, e pelo chefe da Liga Árabe,Amr Moussa. "Tudo está correndo bem", disse Siniora após reunir-se comos ministros árabes, sem, no entanto, fornecer maioresdetalhes. "O intuito do governo libanês é o de colocar a paz civilacima de tudo, acima inclusive das decisões mais recentes dogoverno", afirmou à Reuters Wael Abu Faour, um parlamentar queintegra a base governista. Se conseguir diminuir as tensões, a delegação deve convidaros líderes dos grupos rivais para realizar negociações no Catarcom o objetivo de resolver o antigo conflito político. A disputa mais ampla envolve desavenças sobre comocompartilhar o poder dentro do governo e sobre uma nova leipara eleições parlamentares. Um outro político, em declarações dadas antes dasnegociações, disse que os líderes pró-governo desejavamgarantias de que o Hezbollah retiraria suas forças das ruas enão usaria suas armas contra qualquer um de seus inimigos antesdo diálogo. (Reportagem adicional de Laila Bassam e Tom Perry)

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