Líbano faz luto por assassinato de parlamentar anti-Síria

Premiê assegura realização de processo eleitoral após atentado contra Antoine Ghanem dias antes da votação

Agências internacionais,

20 de setembro de 2007 | 09h11

Líderes mundiais e políticos libaneses condenaram o atentado a bomba que matou o parlamentar anti-Síria Antoine Ghanem em um subúrbio cristão de Beirute. Pelo menos outras seis pessoas morreram na explosão que vitimou o membro do direitista Partido Falangista Cristão.   Veja também: Ghanem é o oitavo político assassinado no Líbano desde 2005   Também nesta quinta-feira, escolas, universidades e agências bancárias de todo o Líbano, assim como o comércio em bairros cristãos, permaneceram fechados em luto pela morte. Uma greve foi convocada pelo Partido Falangista. Segundo a BBC, o presidente americano, George W. Bush, declarou que o assassinato foi "horrível", enquanto líderes libaneses culparam a Síria pelo atentado. Reino Unido, União Européia, França e Itália também condenaram o incidente. Ghanem foi o sétimo político anti-Síria e o quarto deputado da atual coalizão morto em menos de três anos no Líbano. O ataque ocorreu seis dias antes da escolha do presidente que substituirá o líder pró-Síria Emile Lahoud. A votação é considerada um momento chave no conturbado contexto político libanês, que é historicamente dividido entre facções pró e anti-Síria. O governo de Damasco negou  qualquer envolvimento com o atentado de quarta-feira, o que considerou em nota como um "ato criminoso", acrescentado que o incidente poderia minar as esperanças de uma reconciliação com o Estado libanês. No Líbano, muitos políticos descreveram o ataque contra Ghanem como um gesto com relação direta ao processo de escolha do novo presidente. Pelo menos 67 pessoas foram feridas na explosão, que também danificou prédios e destruiu carros no horário de maior movimento na vizinhança de Sin el-Fil. Tribunal internacional O premiê libanês, Fuad Siniora, pediu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que adicione o atentado contra Ghanem aos casos investigados em um inquérito internacional sobre a morte do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri e outros crimes políticos ocorridos recentemente no Líbano. Em Ramallah, no território palestino da Cisjordânia, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, condenou o atentado e fez uma crítica velada à Síria. Segundo ela, "o povo libanês" tem o direito de realizar eleições "sem temer intimidações nem interferências estrangeiras". Saad Hariri, filho de Rafik Hariri, primeiro-ministro libanês morto em um atentando em 2005, responsabilizou a Síria pelo atentado. "Eu nunca vi um regime mais covarde do que o do presidente sírio Bashar Assad", disse. O recente atentado eleva a tensão antes de uma eleição presidencial que já ameaçava lançar o país numa crise ainda mais profunda. Muitos temem que a divisão envolvendo a presidência leve à formação de dois governos rivais, uma arrepiante lembrança dos últimos dois anos da guerra civil de 1975 a 1990, quando unidades rivais do exército leais a administrações diferentes se enfrentaram nas ruas. A onda de assassinatos de figuras anti-Síria que assusta o Líbano começou com o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, que foi morto em um grande atentado em Beirute em 2005. A oposição anti-Síria no Líbano acusa Damasco de estar por trás do assassinato.

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