Líbano prende quatro por atentado a general do Exército

Grupo Fatah al-Islam é o principal suspeito pela morte de Hajj, provável substituto na chefia dos militares

Agências internacionais,

13 de dezembro de 2007 | 10h12

Pelo menos quatro pessoas foram detidas por seu suposto envolvimento no atentado de quarta-feira que matou o chefe de operações do Exército libanês, o general François al-Hajj, no leste de Beirute, segundo o jornal local Naharnet. Hajj, um cristão maronita, foi enterrado nesta quinta-feira, 13, e era o principal candidato para suceder ao chefe do Exército, general Michel Suleiman, que pode ser eleito presidente do Líbano na próxima semana.   Veja também: Cronologia dos atentados terroristas   De acordo com o jornal, um dos detidos foi capturado no bairro de Baabda pouco após o atentado, enquanto os outros três suspeitos foram detidos em uma batida em Taamir, nos arredores de Sidon, sul do país. O jornal indica que a placa do carro-bomba empregado no ataque foi supostamente registrada pelos três detidos em Taamir.   O jornal As Safir, que cita uma fonte militar não identificada, afirmou que as investigações estão se concentrando na hipótese de que o ataque foi cometido por um "grupo terrorista fundamentalista" que opera na região, de acordo com os dados fornecidos pelos serviços secretos. Segundo a fonte, o carro-bomba foi estacionado no local da explosão oito minutos antes de ser detonado, quando o veículo do general passava pela mesma rua.   Alguns políticos disseram que o ataque foi um alerta para que os militares fiquem fora da política, enquanto outros acusaram o grupo muçulmano xiita Hezbollah. Mas o principal suspeito é o grupo muçulmano sunita Fatah al-Islam, que o Exército combateu de maio a setembro no campo de refugiados palestinos de Nahr el-Bared, no norte do Líbano. A operação contra os militantes do Fatah al-Islam foi liderada por Hajj e deixou cerca de 400 mortos.   A explosão ocorreu às 7h10 locais (3h10 em Brasília), pouco depois de Hajj sair de casa para seguir, provavelmente, para o Ministério da Defesa. Um BMW com 35 quilos de explosivos foi detonado por controle remoto quando a picape de Hajj passava, destruindo o veículo e abrindo uma cratera de dois metros de largura e um de profundidade.   O ataque aumentou a tensão no país, onde líderes rivais estão envolvidos em uma disputa sobre a presidência, na maior crise política desde a guerra civil (1975-90).   A presidência está vaga desde o dia 23, quando terminou o mandato do presidente Émile Lahoud, pois a maioria governista pró-EUA e a oposição pró-Síria não haviam conseguido um candidato de consenso. Pela divisão sectária de cargos políticos no Líbano, o presidente deve ser um cristão maronita, assim como o chefe do Exército. Após adiarem por sete vezes a eleição presidencial, os partidos concordaram com o nome de Suleiman para o cargo.

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